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Três anos para executar uma obra de dezoito meses

Coluna de Rogério Matos sobre três anos para executar uma obra de dezoito meses.

Três anos para executar uma obra de dezoito meses

A discussão costuma começar pelo instrumento e terminar sem tocar no problema. Vale inverter a ordem.

Na prática, a maior parte das decisões de gestão pública é tomada com informação incompleta e prazo curto. Não é falha moral de quem decide: é desenho institucional. Quando o processo exige três pareceres para autorizar o que já foi decidido, o parecer deixa de ser controle e passa a ser liturgia.

O que muda quando o incentivo muda

Órgãos respondem a incentivo, não a diagnóstico. Enquanto o indicador cobrado for volume de atos publicados, é volume de atos publicados que se vai entregar — com ou sem efeito sobre o cidadão do outro lado do balcão.

Há saída, e ela raramente é normativa nova. Passa por reduzir etapas que ninguém sabe explicar, medir o que efetivamente se quer melhorar e aceitar que parte do que se mede hoje é apenas o que era fácil de medir.

Uma agenda possível

Primeiro, mapear onde o processo trava — não onde se imagina que ele trave. Segundo, publicar o resultado, inclusive o desfavorável. Terceiro, revisar o desenho depois de um ciclo completo, não a cada troca de gestão.

Rogério Matos. Ex-secretário municipal de Planejamento. Escreve sobre orçamento, PPA e a distância entre o plano e a execução.

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