A trajetória de Jerônimo Rodrigues é marcada pela atuação na educação, pela experiência na administração pública e pela aproximação com as demandas sociais e econômicas do interior da Bahia. Professor e engenheiro agrônomo de formação, construiu sua carreira política a partir da participação em iniciativas voltadas ao desenvolvimento rural, à educação pública e à formulação de políticas para a redução das desigualdades regionais. Sua experiência profissional e administrativa contribuiu para consolidar um perfil ligado ao planejamento governamental, à articulação institucional e à implementação de políticas públicas.
Natural de Aiquara, no sul da Bahia, Jerônimo Rodrigues desenvolveu sua formação acadêmica na área de ciências agrárias e construiu vínculos com o ensino e a pesquisa. Sua trajetória profissional esteve relacionada à educação pública e ao desenvolvimento territorial, áreas que posteriormente se tornariam componentes importantes de sua atuação na administração estadual.
Antes de assumir o governo baiano, ocupou funções estratégicas na estrutura administrativa do estado, com destaque para a Secretaria de Desenvolvimento Rural e a Secretaria da Educação. Nessas experiências, participou da formulação e execução de políticas voltadas à agricultura familiar, à ampliação do acesso à educação e ao fortalecimento da presença do poder público nos municípios. A passagem pela gestão educacional também o aproximou dos desafios relacionados à infraestrutura escolar, à formação profissional e à melhoria das condições de aprendizagem.
Sua atuação administrativa ampliou-se com a participação em processos de planejamento e coordenação de políticas estaduais. Em 2022, foi eleito governador da Bahia, assumindo o cargo em janeiro de 2023. Sua gestão deu continuidade a uma estratégia de desenvolvimento baseada na ampliação dos investimentos públicos, na regionalização dos serviços, na cooperação com os municípios e na articulação com o governo federal.
O perfil de Jerônimo Rodrigues combina, assim, experiência técnica, atuação política e vivência na gestão pública. Essa combinação se reflete na proposta de governo para o ciclo de 2027 a 2030, estruturada em torno da integração entre desenvolvimento econômico, proteção social, sustentabilidade ambiental e modernização administrativa.
O plano de governo: uma Bahia que avança, cuida e transforma
O Programa de Governo Participativo apresentado por Jerônimo Rodrigues para o período de 2027 a 2030 organiza suas diretrizes em quatro grandes eixos: desenvolvimento econômico; desenvolvimento social e garantia de direitos; governança democrática; e temas transversais prioritários. A proposta procura articular investimentos em infraestrutura e produção com políticas de cuidado, redução das desigualdades e ampliação do acesso aos serviços públicos.
O documento parte da premissa de que o crescimento econômico precisa produzir resultados concretos na vida da população. Para isso, defende a continuidade do planejamento territorial, o fortalecimento da capacidade administrativa do Estado e a ampliação do diálogo com a sociedade. Segundo o programa, sua elaboração envolveu 187 encontros e a participação de mais de 200 mil pessoas, além de contribuições de representantes de diferentes setores econômicos e sociais.
Desenvolvimento econômico e integração territorial
Um dos principais componentes do programa é a diversificação da economia baiana, com estímulo à indústria, à mineração, ao comércio, aos serviços, ao turismo, à agroindústria e à economia criativa. A proposta busca ampliar a competitividade estadual, agregar valor à produção local e distribuir oportunidades entre a capital, a região metropolitana e os municípios do interior.
Entre as medidas previstas estão a criação de incentivos para a interiorização industrial, o fortalecimento dos distritos industriais, a ampliação do acesso ao crédito para pequenas e médias empresas e o apoio à inserção de empreendimentos baianos em mercados digitais e internacionais. O programa também prevê maior agregação de valor às cadeias de minerais críticos e terras raras, de modo a estimular atividades industriais e tecnológicas no próprio estado.
A agricultura familiar e o agronegócio aparecem como segmentos complementares dessa estratégia. O plano propõe ampliar a assistência técnica, o crédito, a irrigação, a infraestrutura hídrica e a pesquisa agropecuária, ao mesmo tempo que busca fortalecer cooperativas, associações e empreendimentos solidários. A intenção é elevar a produtividade, ampliar a geração de renda e melhorar as condições de permanência das famílias no campo.
Para a gestão pública, o desafio será transformar essas diretrizes em programas coordenados, com financiamento, metas e instrumentos de avaliação. A interiorização dos investimentos exigirá articulação entre secretarias estaduais, prefeituras, instituições de pesquisa e setor produtivo, além de critérios transparentes para a distribuição territorial dos recursos.
Infraestrutura, logística e mobilidade
A infraestrutura constitui outro eixo central do programa. O documento estabelece como meta a pavimentação e recuperação de 4 mil quilômetros de rodovias baianas, incluindo estradas vicinais e acessos a comunidades rurais e territórios tradicionais. A proposta também prevê o avanço de empreendimentos estruturantes, como a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e o Porto Sul, em articulação com o governo federal.
Na mobilidade urbana, estão previstas a conclusão do trecho do metrô entre a Estação da Lapa e o Campo Grande, a expansão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e a viabilização de uma ligação ferroviária entre Camaçari e Alagoinhas. O plano também contempla melhorias em aeroportos, ferrovias, portos e acessos logísticos.
A execução dessas iniciativas depende de coordenação federativa, capacidade de contratação, licenciamento, disponibilidade orçamentária e acompanhamento dos cronogramas. Por sua dimensão financeira e pelo impacto sobre diferentes regiões, os projetos demandam mecanismos de governança capazes de integrar planejamento, fiscalização e prestação de contas.
Saúde, educação e proteção social
No campo social, o programa propõe ampliar e regionalizar a oferta de serviços de saúde, fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as prioridades estão a revisão do planejamento regional da assistência, o aprimoramento da regulação, a expansão da saúde digital e da telessaúde e o apoio aos municípios na ampliação da atenção básica e dos serviços especializados.
A proposta busca aproximar os serviços da população, reduzindo deslocamentos e desigualdades de acesso entre as regiões. Para isso, a gestão estadual deverá coordenar redes assistenciais, integrar informações e pactuar responsabilidades com os municípios, especialmente nas áreas em que a oferta de serviços é insuficiente.
Na educação, o programa prevê a universalização do ensino em tempo integral na rede estadual, o fortalecimento da alfabetização, a ampliação da educação profissional e tecnológica e a expansão das oportunidades de acesso ao ensino superior nos territórios. A formação para o trabalho, a inclusão digital e a aproximação entre escolas e setores produtivos também aparecem como instrumentos para ampliar as oportunidades dos jovens.
A assistência social, o combate à fome e a redução da pobreza integram esse conjunto de políticas. O documento propõe fortalecer a rede de proteção social, ampliar a articulação entre os serviços públicos e apoiar iniciativas de geração de renda. A agricultura familiar, a economia solidária e os programas de inclusão produtiva são apresentados como instrumentos complementares à proteção das famílias em situação de vulnerabilidade.
A política de cuidados como eixo transversal
Uma das marcas conceituais do programa é a chamada “Bahia do Cuidado”, que procura incorporar a dimensão do cuidado à organização das políticas públicas. A proposta reconhece que crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua e famílias em condição de vulnerabilidade necessitam de serviços integrados, capazes de articular saúde, educação e assistência social.
Entre as medidas previstas estão a ampliação de vagas em creches, a criação de serviços de convivência e acolhimento, o apoio a cuidadores familiares e a qualificação profissional de trabalhadores do cuidado. O documento também propõe instituir uma Política Estadual de Cuidados, acompanhada de mecanismos de governança, controle social e monitoramento.
Essa agenda tem implicações diretas para a administração pública: exige integração entre órgãos, definição de responsabilidades, formação de equipes e sistemas de informação que permitam acompanhar a oferta e a qualidade dos serviços. A efetividade da política dependerá da capacidade de transformar ações dispersas em uma rede contínua de atendimento.
Segurança pública, cidadania e direitos
Na segurança pública, o programa combina o fortalecimento institucional das forças de segurança com ações preventivas e sociais. Entre as diretrizes estão o uso de tecnologia e inteligência, a ampliação de políticas de prevenção à violência, o fortalecimento do programa Bahia pela Paz e a expansão de iniciativas voltadas a territórios vulnerabilizados.
O documento também prevê medidas para ampliar a proteção às mulheres, combater o feminicídio, fortalecer delegacias especializadas e ampliar a oferta de acolhimento e assistência psicossocial. A promoção da igualdade racial, o enfrentamento à discriminação e a proteção de povos indígenas, comunidades quilombolas e demais comunidades tradicionais aparecem como compromissos transversais.
A implementação dessas medidas requer atuação coordenada entre segurança pública, educação, saúde, assistência social e sistema de Justiça. Para além da ampliação de estruturas e efetivos, o desafio administrativo consiste em estabelecer metas, monitorar resultados e garantir que as ações preventivas alcancem os territórios com maiores índices de vulnerabilidade.
Sustentabilidade, água e transição energética
A agenda ambiental associa a preservação dos biomas ao desenvolvimento econômico. O programa propõe ampliar a geração de energia renovável, incentivar tecnologias de baixo carbono, fortalecer a fiscalização ambiental e apoiar iniciativas de recuperação de áreas degradadas. Também prevê instrumentos relacionados ao mercado de créditos de carbono, à economia circular e à pesquisa aplicada.
A segurança hídrica recebe atenção especial, sobretudo diante dos desafios de convivência com o Semiárido. Entre as medidas estão a ampliação de sistemas de abastecimento, a implantação de soluções de saneamento, o monitoramento de mananciais e o aprimoramento das ações de prevenção a secas, estiagens e desastres.
A transição energética, por sua vez, é tratada como oportunidade de atração de investimentos, desenvolvimento tecnológico e geração de empregos. O plano contempla iniciativas relacionadas à energia eólica e solar, ao hidrogênio de baixo carbono e a combustíveis sustentáveis. O desafio será conciliar expansão produtiva, proteção ambiental e benefícios efetivos para as comunidades envolvidas.
Governo digital, transparência e capacidade administrativa
A modernização da gestão pública é apresentada como condição para ampliar a eficiência e a qualidade dos serviços. O programa prevê uma Política Estadual de Governo Digital, a integração de bases de dados, a expansão da conectividade, a criação de laboratórios de inovação nas secretarias e a oferta de soluções tecnológicas compartilhadas com os municípios.
Também estão previstas medidas para fortalecer a transparência, ampliar a disponibilização de dados públicos e aprimorar os padrões de atendimento ao cidadão. A segurança da informação e a proteção de dados pessoais integram essa agenda, assim como a formação continuada dos servidores e a valorização das carreiras públicas.
Na área de governança, o documento defende o planejamento baseado nos Territórios de Identidade, a cooperação entre estado e municípios, o fortalecimento dos consórcios públicos e a melhoria dos processos administrativos. A qualificação das compras públicas, a gestão de pessoas e a capacidade de execução dos órgãos estaduais são elementos importantes para converter as propostas em entregas concretas.
A adoção de ferramentas digitais, entretanto, precisará ser acompanhada de padrões de interoperabilidade, segurança cibernética, acessibilidade e avaliação de desempenho. A modernização administrativa não se resume à digitalização de procedimentos: depende também da revisão de processos, da capacitação dos profissionais e da melhoria da experiência dos usuários dos serviços públicos.
O desafio de transformar diretrizes em resultados
O programa de Jerônimo Rodrigues para 2027 a 2030 propõe aprofundar uma estratégia que combina investimentos estruturantes, desenvolvimento econômico, ampliação de direitos e modernização do Estado. Sua principal característica é a tentativa de aproximar as políticas de infraestrutura e crescimento das necessidades cotidianas da população, distribuindo serviços e oportunidades entre os diferentes territórios baianos.
Para a administração pública, o êxito dessa agenda dependerá da capacidade de estabelecer prioridades, compatibilizar compromissos com o orçamento, coordenar órgãos e parceiros institucionais e acompanhar a execução das políticas. A integração entre planejamento, gestão fiscal, transparência e avaliação de resultados será decisiva para evitar a fragmentação das iniciativas e assegurar que os investimentos produzam benefícios mensuráveis.
A proposta também atribui importância à participação social como instrumento de planejamento e controle. Para que esse princípio se traduza em governança efetiva, será necessário manter canais de diálogo, divulgar resultados, ampliar o acesso a informações e criar condições para que a população acompanhe a implementação dos compromissos assumidos.
Ao articular desenvolvimento produtivo, infraestrutura, proteção social, sustentabilidade e inovação administrativa, o plano apresenta uma visão abrangente de gestão estadual. Seu principal teste será transformar essa amplitude de objetivos em prioridades executáveis, com responsabilidades definidas, recursos assegurados e resultados verificáveis ao longo do próximo ciclo de governo.
Fontes de pesquisa
1. Programa de Governo Participativo de Jerônimo Rodrigues — Bahia, ciclo 2027–2030.
2. Governo do Estado da Bahia — Secretaria de Comunicação Social
3. Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
4. Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)
5.Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) / Secretaria da Educação da Bahia

