Uma trajetória construída na administração pública
Natural de Boa Vista, onde nasceu em 19 de agosto de 1981, Arthur Henrique Brandão Machado construiu sua trajetória profissional entre a iniciativa privada e a administração pública. Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (USP), trabalhou nas multinacionais Siemens e Capgemini, ambas ligadas ao setor de tecnologia, antes de retornar a Roraima e ingressar na gestão pública municipal.
Em 2013, assumiu a Secretaria Extraordinária de Inclusão Digital de Boa Vista, experiência que marcou o início de sua atuação no setor público. Três anos depois, foi eleito vice-prefeito na chapa de Teresa Surita, que conquistou a reeleição com 79,39% dos votos. Em 2019, passou também a responder pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, ampliando sua experiência em áreas essenciais da administração municipal.
Em 2020, Arthur Henrique foi eleito prefeito de Boa Vista. Durante o primeiro mandato, concentrou esforços em infraestrutura urbana, educação, saúde, inclusão social e modernização administrativa. Em 2024, conquistou a reeleição no primeiro turno, com 75,18% dos votos válidos, consolidando sua posição na política roraimense.
A experiência à frente da capital tornou-se o principal eixo de sua apresentação política ao eleitorado estadual. O argumento central de sua candidatura foi a possibilidade de ampliar para os 15 municípios de Roraima práticas administrativas desenvolvidas em Boa Vista, adaptando-as às diferenças econômicas, geográficas e sociais do interior.
Em outubro de 2025, Arthur filiou-se ao Partido Liberal (PL). Este ano (2026), disputou o governo estadual e foi eleito no primeiro turno, com 69,13% dos votos válidos, segundo a totalização final divulgada pela Justiça Eleitoral. A vitória abriu caminho para uma nova etapa de sua carreira: deixar a administração de uma capital com concentração expressiva de serviços e atividade econômica para assumir o comando de um estado marcado por grandes distâncias, comunidades rurais e indígenas, desafios de infraestrutura e forte dependência das receitas públicas.
A formação técnica e a experiência executiva são elementos centrais de seu perfil. Sua proposta de governo apresenta uma administração orientada por metas, indicadores de desempenho, controle de despesas e acompanhamento público dos resultados. Mais do que reproduzir iniciativas municipais, o desafio será demonstrar que esse modelo pode funcionar em escala estadual, considerando as competências legais, as limitações orçamentárias e as necessidades específicas de cada região.
O legado de Boa Vista como ponto de partida
O plano de governo para o período de 2027 a 2030, intitulado Roraima Rumo ao Desenvolvimento, apresenta a experiência da capital como referência para a formulação de políticas estaduais. O documento reúne propostas para gestão fiscal, infraestrutura, agronegócio, educação, segurança pública, saúde, assistência social, turismo, meio ambiente, habitação e transformação digital.
Na avaliação apresentada pelo próprio programa, Roraima enfrenta uma contradição: reúne oportunidades de expansão econômica, impulsionadas pelo agronegócio, pela localização fronteiriça e pela integração energética, mas ainda convive com dificuldades na qualidade dos serviços públicos e na geração de oportunidades fora da estrutura estatal.
O plano identifica como desafio estrutural a dependência econômica dos recursos movimentados pelo governo. Para enfrentá-la, propõe estimular a produtividade, ampliar investimentos privados, fortalecer cadeias produtivas locais e criar condições para que uma parcela maior da riqueza produzida no estado seja transformada em emprego, renda e arrecadação.
A estratégia depende, contudo, da capacidade de conciliar expansão econômica com responsabilidade fiscal, preservação ambiental e respeito às comunidades indígenas. Essa combinação aparece como um dos principais pontos de articulação entre o perfil administrativo do governador eleito e as prioridades anunciadas para o próximo mandato.
Gestão pública: planejamento, eficiência e transparência
Entre as medidas previstas estão a ampliação do Portal Roraima Aberto, a publicação de despesas e contratos em formato pesquisável e a divulgação de relatórios fiscais em linguagem acessível. O documento também prevê a criação de um escritório de projetos vinculado ao núcleo de governo, responsável pelo acompanhamento de prazos, custos e entregas das iniciativas prioritárias.
A modernização da máquina pública inclui capacitação dos servidores, simplificação de processos internos e aprimoramento dos procedimentos de licitação, contratação e fiscalização de obras. O plano também estabelece o compromisso de manter os salários em dia e propõe diálogo permanente com as categorias do funcionalismo, além da elaboração de planos de carreira com estudos técnicos prévios.
Outro eixo é a desburocratização. A proposta denominada Descomplica Roraima pretende ampliar para a esfera estadual a experiência implantada em Boa Vista, com digitalização de processos, prazos definidos para respostas administrativas e simplificação de licenças para atividades de baixo risco. A medida busca reduzir custos para pequenos e médios empreendedores, especialmente nos municípios do interior.
A efetividade dessas iniciativas dependerá da qualidade dos projetos, da integração entre secretarias e da capacidade de transformar indicadores em decisões administrativas. Para a gestão pública, o desafio não será apenas publicar informações, mas garantir que os dados orientem prioridades, correções de percurso e avaliação dos resultados.
Infraestrutura e logística para impulsionar a economia
A infraestrutura aparece como condição para o desenvolvimento econômico de Roraima. O programa considera que o crescimento da produção agropecuária precisa ser acompanhado por melhorias nas estradas, pontes, sistemas de saneamento, armazenagem e logística de transporte.
O plano dá prioridade à recuperação das estradas vicinais, fundamentais para o deslocamento de moradores, o transporte escolar e o escoamento da produção rural. Prevê um planejamento plurianual de pavimentação e recuperação, com critérios técnicos para definir prioridades, considerando o volume produzido, a população atendida e o acesso a escolas e unidades de saúde.
A substituição gradual de pontes vulneráveis às chuvas por estruturas permanentes também integra a agenda. O documento propõe inventariar as travessias, estabelecer cronogramas de recuperação e divulgar informações sobre as obras. Outra medida é realizar um levantamento das construções estaduais paralisadas, com dados sobre recursos empregados, estágio de execução e providências necessárias para retomada, rescisão contratual ou nova licitação.
A diretriz é priorizar a conclusão de empreendimentos já iniciados antes de assumir novos compromissos de grande porte nos primeiros meses de mandato. A intenção é reduzir desperdícios, evitar a multiplicação de obras inconclusas e melhorar a capacidade de execução do governo.
No saneamento, a proposta prevê apoio técnico e financeiro aos municípios, ampliação do abastecimento de água e do esgotamento sanitário e adoção de soluções descentralizadas para localidades rurais e comunidades isoladas. A diversidade territorial exige modelos distintos: a infraestrutura necessária em uma sede municipal pode não ser adequada a uma comunidade distante, com baixa densidade populacional.
A energia também é tratada como oportunidade estratégica. Com a integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional, o plano pretende ampliar a segurança do abastecimento, melhorar a distribuição interna e buscar condições para que os benefícios da interligação cheguem aos consumidores. O documento prevê articulação com órgãos federais e reguladores para discutir tarifas e redução da dependência de geração térmica.
A disponibilidade de energia confiável é apresentada como argumento para atrair empreendimentos industriais, agroindústrias, sistemas de irrigação e atividades de beneficiamento da produção local. O objetivo é estimular a instalação de empresas que agreguem valor às matérias-primas e ampliem a geração de empregos dentro do estado.
Agronegócio e diversificação econômica
O fortalecimento do agronegócio constitui uma das principais apostas do programa. A proposta parte do reconhecimento de que Roraima reúne condições para expandir a produção de grãos, frutas, pecuária, piscicultura e agricultura familiar, mas precisa superar entraves relacionados à infraestrutura, ao acesso ao crédito, à assistência técnica e à regularização fundiária.
Em vez de tratar a atividade rural como um setor homogêneo, o plano propõe políticas adaptadas às vocações de cada município. Bonfim, por exemplo, é apresentado como polo de produção de grãos; Caroebe se destaca pela banana e por culturas como cacau, café e mandioca; enquanto municípios do sul do estado combinam pecuária, agricultura familiar e fruticultura.
Entre as medidas previstas estão a simplificação de procedimentos administrativos, a ampliação da irrigação, o incentivo à pesquisa agropecuária e a articulação com instituições financeiras para facilitar o crédito aos pequenos e médios produtores. O programa também prevê uma mesa permanente de diálogo entre governo, produtores, cooperativas e instituições de pesquisa.
A agroindustrialização é outro objetivo. O documento propõe estimular o beneficiamento de produtos dentro do estado, fortalecer cadeias produtivas e estudar a viabilidade de um frigorífico estadual habilitado para exportação. Também prevê utilizar as compras públicas para ampliar a participação da agricultura familiar no fornecimento de alimentos a escolas, hospitais e unidades prisionais.
A ambição é reduzir a dependência da economia em relação aos gastos governamentais e criar uma base produtiva capaz de gerar renda de maneira mais diversificada. Para isso, será necessário articular políticas de infraestrutura, financiamento, qualificação profissional, segurança jurídica e acesso aos mercados.
O plano condiciona essa expansão ao respeito à legislação ambiental e às comunidades originárias. A compatibilização entre produção, preservação e direitos territoriais será decisiva para a sustentabilidade econômica e institucional da estratégia.
Educação: metas de aprendizagem e formação profissional
Na educação, o programa estabelece metas quantitativas para melhorar o desempenho da rede pública até 2029. Entre os objetivos estão elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos anos finais do ensino fundamental da rede estadual de 4,4 para pelo menos 5,0 e o indicador do ensino médio de 3,8 para pelo menos 4,5. Em colaboração com os municípios, a meta para os anos iniciais do ensino fundamental é passar de 5,9 para pelo menos 6,5.
A proposta busca combinar melhoria dos indicadores com avanços efetivos na aprendizagem, redução do abandono escolar e diminuição da distorção entre idade e série. Os resultados deverão ser acompanhados por escola, município e modalidade de ensino, com atenção especial às unidades rurais, indígenas e situadas em áreas de maior vulnerabilidade social.
Outro compromisso é ampliar a climatização das escolas estaduais, mediante levantamento das salas ainda sem equipamentos, cronograma público de execução e adequação da rede elétrica. O programa também prevê reformas de unidades em condições precárias, renovação do transporte escolar, expansão do ensino em tempo integral e apoio aos municípios para construção de creches.
A formação técnica ocupa espaço relevante na estratégia educacional. O plano propõe aproximar a oferta de cursos das vocações econômicas regionais, de modo que os jovens possam se qualificar para atividades ligadas ao agronegócio, à agroindústria, à logística, ao turismo e aos serviços.
Entre as iniciativas de maior alcance está o Fundo Raiz, concebido para destinar receitas relacionadas à exploração mineral e a ativos ambientais ao financiamento de ações voltadas ao ensino médio. O documento prevê incentivos financeiros a estudantes do terceiro ano, condicionados à frequência e à aprovação, além de adicionais para aqueles que enfrentam deslocamentos mais difíceis. Também propõe bonificações para equipes escolares com base em critérios de desempenho previamente estabelecidos.
A proposta procura aproximar educação, desenvolvimento regional e oportunidades de trabalho. Sua execução, entretanto, exigirá regras transparentes para a utilização das receitas, mecanismos de avaliação e cuidado para que os incentivos não substituam políticas estruturais de valorização profissional e melhoria das condições de ensino.
Segurança pública e proteção às mulheres
A segurança pública é tratada como uma das áreas que exigem resposta imediata. O plano destaca os desafios associados à localização fronteiriça de Roraima, à atuação de organizações criminosas e à necessidade de distribuir melhor os recursos policiais pelo território.
A proposta prevê ampliar o monitoramento eletrônico, integrando câmeras, leitura de placas e sistemas de informação, além de reforçar equipamentos e capacidades operacionais das forças de segurança. Também estabelece a criação de um comando integrado, com participação das polícias estaduais e articulação com órgãos federais, para definir metas públicas de redução da criminalidade.
A distribuição do efetivo deverá considerar indicadores de violência, em vez de critérios exclusivamente administrativos ou políticos. O programa prevê ainda concursos para as polícias Militar e Civil, medidas de fortalecimento da Polícia Penal e ampliação da capacidade de investigação de crimes cibernéticos.
Um dos pontos mais específicos é o programa Roraima Protege Elas, destinado ao enfrentamento da violência contra mulheres. O conjunto de medidas inclui a implantação de uma rede estadual de acolhimento, com casa-abrigo em funcionamento, interiorização do atendimento psicossocial e jurídico e ampliação do acompanhamento de mulheres sob medidas protetivas.
O documento propõe também ampliar o monitoramento eletrônico de agressores considerados de maior risco, integrar informações entre órgãos públicos e criar atendimento articulado para vítimas de violência sexual, reunindo acolhimento, perícia, profilaxia e acompanhamento psicológico.
A dimensão social da política aparece na previsão de auxílio-moradia temporário para mulheres em situação de vulnerabilidade e na prioridade de acesso à qualificação profissional e ao emprego. A proposta reconhece, assim, que a proteção depende não apenas da atuação policial, mas também da capacidade de oferecer segurança, atendimento especializado e condições para romper ciclos de violência.
O principal desafio será transformar essas medidas em uma rede efetiva, com cobertura nos 15 municípios, protocolos de atendimento, equipes suficientes e acompanhamento dos resultados.
Saúde: redução das filas e interiorização do atendimento
Na saúde, Arthur Henrique propõe reorganizar a gestão hospitalar e reduzir as desigualdades entre Boa Vista e o interior. O plano identifica as filas de consultas, exames e cirurgias, a insuficiência de leitos de retaguarda e a concentração dos serviços especializados na capital como problemas prioritários.
Uma das propostas mais simbólicas é instalar temporariamente o gabinete do governador nas dependências do Hospital Geral de Roraima nos primeiros meses do mandato. A iniciativa pretende aproximar as decisões administrativas da realidade cotidiana dos pacientes e dos profissionais, permitindo acompanhar questões como disponibilidade de leitos, escalas de trabalho e regulação hospitalar.
O programa também prevê a publicação dos tempos de espera por unidade de saúde, transformando as filas em indicadores públicos de desempenho. A intenção é permitir que a população acompanhe a evolução dos atendimentos e que o governo identifique os pontos de maior pressão sobre a rede.
A regionalização é outro eixo importante. O plano propõe fortalecer hospitais do interior, ampliar a atenção básica nos municípios-polo, melhorar o transporte de pacientes e utilizar telemedicina para reduzir deslocamentos desnecessários. Prevê ainda distribuição regular de medicamentos e expansão das equipes de Saúde da Família, em articulação com as prefeituras.
A experiência municipal do programa Bem-Te-Vi, voltado à identificação de dificuldades visuais e à entrega gratuita de óculos a estudantes, deverá ser ampliada para todo o estado. O documento também prevê unidades móveis de saúde da mulher, com exames e encaminhamentos organizados, além de mutirões permanentes de cirurgias eletivas.
A proposta contempla a modernização de hospitais do interior, a realização de concurso para profissionais de saúde e a elaboração de um plano específico para a saúde indígena, em articulação com as instituições federais responsáveis e as lideranças das comunidades.
O resultado dependerá da integração entre atenção básica, serviços especializados, transporte sanitário e gestão de leitos. A ampliação física da rede será importante, mas precisará vir acompanhada de equipes, equipamentos, contratos adequados e capacidade de regulação.
Proteção social, primeira infância e migração
Na área social, o plano propõe fortalecer programas já existentes, ampliar a cobertura territorial e estabelecer critérios públicos de acesso. Entre as iniciativas mencionadas estão a expansão do Colo de Mãe, a transformação do Minha Horta Cidadã em programa permanente e a implantação de novas unidades do Restaurante Cidadão no interior.
Também estão previstas cozinhas comunitárias em áreas de maior vulnerabilidade, auxílio emergencial para famílias atingidas por cheias e políticas articuladas de atenção à primeira infância, integrando saúde, educação e assistência social.
A questão migratória aparece como uma dimensão permanente da administração estadual. Pela localização de Roraima na fronteira com a Venezuela, o estado enfrenta pressões sobre serviços públicos, especialmente em Pacaraima e Boa Vista. O plano propõe coordenar o fluxo migratório em articulação com a União, a Operação Acolhida, as agências internacionais e os órgãos de segurança e defesa civil.
A proposta inclui ainda um plano de contingência para mudanças abruptas no fluxo de pessoas. A intenção é substituir respostas improvisadas por mecanismos de planejamento capazes de dimensionar necessidades de atendimento, vagas escolares e capacidade dos serviços de saúde.
O documento também dedica atenção à juventude, ao primeiro emprego e à inclusão de pessoas com deficiência. Entre as medidas previstas estão a qualificação profissional orientada pelas vocações econômicas locais, a ampliação de estruturas esportivas em áreas vulneráveis e a expansão de recursos de educação especial para escolas estaduais, rurais e indígenas.
O conjunto aponta para uma política social que procura combinar assistência imediata com inclusão produtiva e acesso a serviços. O desafio de implementação será garantir que a expansão dos programas alcance municípios distantes e populações que enfrentam maiores barreiras de acesso.
Turismo, cultura e novas fontes de renda
O turismo é apresentado como alternativa para diversificar a economia estadual. Roraima reúne atrativos naturais e culturais que podem ampliar a circulação de visitantes e estimular atividades de hospedagem, alimentação, transporte, artesanato e serviços especializados.
O plano cita destinos como o Monte Roraima, a Serra do Tepequém, o Parque Nacional do Viruá e as corredeiras do Baixo Rio Branco. Para aproveitar esse potencial, propõe melhorar os acessos, organizar roteiros integrados, qualificar profissionais e desenvolver uma estratégia unificada de promoção turística.
A proposta também prevê fortalecer o turismo de base comunitária, com protagonismo das comunidades indígenas e retorno econômico para seus integrantes. A iniciativa busca associar preservação cultural, geração de renda e participação local, respeitando as particularidades de cada território.
Na cultura, o programa prevê apoiar festivais municipais, organizar um calendário estadual de eventos e ampliar equipamentos culturais no interior. A intenção é fortalecer manifestações artísticas, tradições regionais e atividades ligadas à economia criativa.
A consolidação desse eixo dependerá da integração entre infraestrutura, promoção, qualificação e participação dos empreendedores locais. A divulgação dos destinos, isoladamente, não será suficiente sem acesso adequado, serviços de apoio e mecanismos de proteção ambiental.
Meio ambiente, mineração e bioeconomia
O plano defende que desenvolvimento econômico e preservação ambiental devem ser tratados de forma articulada. Para isso, propõe modernizar o licenciamento ambiental, fortalecer a fiscalização e ampliar a infraestrutura de coleta seletiva e compostagem nos municípios-polo.
Na mineração, o documento prevê atuação institucional para discutir marcos legais e fundiários que condicionam o aproveitamento dos recursos minerais, além de incentivar diagnósticos técnicos e maior segurança jurídica. O programa também pretende utilizar a disponibilidade de energia como fator de atração de investimentos privados.
A bioeconomia e o mercado de carbono aparecem como possibilidades de diversificação das receitas. A proposta é consolidar o Roraima Verde, estabelecer regras para repartição de benefícios e ampliar a assistência técnica aos pequenos e médios produtores interessados em projetos de carbono.
O documento também menciona oportunidades relacionadas à castanha-do-Brasil e a outras cadeias produtivas que podem gerar renda a partir do uso sustentável dos recursos naturais. Para as comunidades indígenas, prevê apoio técnico a projetos próprios de preservação e bioeconomia, em articulação com a União.
O avanço dessas iniciativas dependerá da credibilidade dos mecanismos de certificação, da transparência na distribuição de receitas e da adoção de salvaguardas socioambientais. Será necessário assegurar que os benefícios econômicos cheguem aos territórios e às populações que contribuem para a conservação.
Habitação, regularização fundiária e transformação digital
A política habitacional proposta dá destaque à regularização fundiária. O diagnóstico do plano aponta que muitas famílias já possuem moradia, mas não dispõem de documentação definitiva que comprove a propriedade. A falta de título dificulta o acesso ao crédito, a realização de melhorias e a transmissão regular do imóvel aos herdeiros.
A proposta é acelerar a emissão de escrituras, ampliar o georreferenciamento de lotes e integrar os procedimentos estaduais e municipais. O documento prevê ainda um sistema digital de acompanhamento dos processos e a articulação da regularização com investimentos em infraestrutura urbana.
Na transformação digital, a meta é construir uma administração mais acessível e integrada. O programa prevê uma plataforma única para serviços estaduais, conectividade de alta velocidade em escolas e unidades de saúde e ampliação da oferta de serviços públicos digitais.
As metas incluem disponibilizar digitalmente 90% dos serviços estaduais e conectar todas as escolas e unidades de saúde à internet de alta velocidade até 2030. O plano também propõe incentivar startups e projetos de inovação, aproximando universidades e setor produtivo.
A inteligência artificial poderá ser utilizada para automatizar tarefas administrativas e oferecer canais de atendimento ao cidadão, sob diretrizes de supervisão humana, ética e proteção de dados pessoais.
A digitalização, porém, precisará considerar a realidade das comunidades rurais e indígenas, nas quais a conectividade ainda pode ser limitada. A modernização será efetiva se reduzir deslocamentos e burocracias sem excluir quem tem dificuldades de acesso à tecnologia.
Um mandato condicionado à capacidade de execução
O programa de Arthur Henrique apresenta uma agenda ampla, articulada em torno de três prioridades: modernizar a gestão pública, diversificar a economia e melhorar a qualidade dos serviços prestados à população. A experiência acumulada em Boa Vista funciona como referência, mas a passagem da administração municipal para a estadual amplia a complexidade das decisões e a escala dos desafios.
Roraima combina oportunidades associadas ao agronegócio, à energia, à localização fronteiriça e ao turismo com problemas de infraestrutura, desigualdade territorial e pressão sobre serviços essenciais. A proposta de governo procura responder a esse quadro com planejamento plurianual, metas mensuráveis, transparência e integração entre políticas públicas.
A agenda inclui compromissos verificáveis, como metas educacionais, publicação das filas de saúde, acompanhamento de obras paralisadas, expansão da conectividade e interiorização de serviços. Esses indicadores poderão servir de referência para avaliar o desempenho da administração ao longo do mandato.
A execução, entretanto, exigirá coordenação entre secretarias, cooperação com os municípios, diálogo com o governo federal e capacidade de assegurar recursos para iniciativas de longo prazo. Também será fundamental conciliar a atração de investimentos com a preservação ambiental, a proteção dos direitos indígenas e a responsabilidade fiscal.
Para uma gestão pública orientada por resultados, o êxito não será medido apenas pelo número de programas anunciados ou pelo volume de recursos mobilizados. O parâmetro decisivo será a capacidade de transformar as propostas em serviços acessíveis, obras concluídas, oportunidades de trabalho e melhorias concretas na vida dos moradores dos 15 municípios de Roraima.
O mandato de 2027 a 2030 será, portanto, o teste da capacidade de Arthur Henrique de converter uma experiência administrativa concentrada na capital em uma política estadual de desenvolvimento. A consistência do planejamento, a transparência das decisões e a entrega efetiva de resultados determinarão se a promessa de um novo ciclo de crescimento poderá alcançar o conjunto da população roraimense.
Fontes de pesquisa
- Plano de Governo de Arthur Henrique Brandão Machado — Roraima Rumo ao Desenvolvimento, mandato 2027–2030. Documento apresentado pelo candidato, utilizado como fonte principal para a descrição das propostas e metas.
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Em Roraima, Arthur Henrique (PL) é o novo governador do estado”, publicado em 4 de outubro de 2026. Disponível em: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/em-roraima-arthur-henrique-pl-e-o-novo-governador-do-estado
- Agência Brasil. “Arthur Henrique é eleito governador de Roraima no primeiro turno”, publicado em 4 de outubro de 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/arthur-henrique-e-eleito-governador-de-roraima-no-primeiro-turno
- CNN Brasil. “Quem é Arthur Henrique, reeleito prefeito em Boa Vista”, publicado em 9 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/quem-e-arthur-henrique-reeleito-prefeito-em-boa-vista/
