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Cleitinho Azevedo: um governo de gestão, resultados e interiorização

Com foco na redução de desperdícios, melhoria dos serviços públicos e aproximação com os municípios, o plano de governo de Cleitinho Azevedo propõe uma administração orientada por resultados, descentralização e investimentos em áreas essenciais.

Cleitinho Azevedo: um governo de gestão, resultados e interiorização

A chegada de Cleitinho Azevedo ao comando de Minas Gerais representa a ascensão de uma liderança construída fora dos tradicionais centros de decisão da política estadual. Sua trajetória, iniciada na política municipal e posteriormente ampliada para os âmbitos estadual e nacional, foi marcada por uma comunicação direta com o eleitor e pela defesa de uma administração pública mais próxima da população.

Esse perfil aparece de forma clara no plano de governo apresentado para Minas Gerais. O documento estabelece como princípio central que a administração estadual deve concentrar esforços naquilo que produz impacto direto na vida das pessoas: saúde, segurança, educação, infraestrutura, geração de oportunidades e qualidade dos serviços públicos.

A proposta parte de uma constatação fiscal: Minas Gerais enfrenta restrições orçamentárias e, portanto, precisa ampliar a capacidade de entrega sem necessariamente ampliar a estrutura estatal. O plano resume essa orientação na ideia de “fazer mais com menos”, combinando redução de desperdícios, revisão de despesas, definição de prioridades e cobrança de resultados.

Uma administração orientada por resultados

O primeiro eixo do programa está relacionado à reorganização da máquina pública. Entre as propostas estão a revisão integral das despesas, a redução de cargos comissionados sem função técnica, a eliminação de privilégios administrativos e a adoção do chamado orçamento base zero.

A lógica é revisar periodicamente os gastos públicos, exigindo justificativas técnicas para sua manutenção e direcionando recursos para serviços considerados essenciais. O documento também propõe a revisão dos incentivos fiscais, mantendo aqueles que apresentem resultados comprovados em geração de empregos, investimentos e arrecadação.

O plano estabelece ainda indicadores de desempenho para as secretarias e uma Sala de Monitoramento da Gestão, destinada a acompanhar mensalmente metas, cronogramas e entregas. A intenção é criar uma rotina permanente de acompanhamento da execução das políticas públicas.

Outra frente é a aproximação com os municípios. Fóruns Regionais de Gestão Pública, realizados semestralmente, reunirão prefeitos, vereadores e representantes do governo estadual para estabelecer prioridades e acompanhar soluções para demandas locais.

A transformação digital aparece como ferramenta transversal, com integração dos órgãos estaduais, digitalização de serviços e simplificação de processos administrativos.

Saúde: ampliar a capacidade de atendimento

Na saúde, o programa prioriza a ampliação da capacidade instalada e a descentralização dos serviços.

Uma das principais propostas é concluir e colocar em funcionamento cinco hospitais regionais: Teófilo Otoni, Governador Valadares, Divinópolis, Sete Lagoas e Conselheiro Lafaiete. O plano também prevê o programa “Reativar Minas”, destinado a recuperar leitos, maternidades, unidades de terapia intensiva e centros cirúrgicos subutilizados.

A estratégia inclui ainda o fortalecimento da atenção primária, integração da rede de urgência e emergência, melhoria da gestão de medicamentos e ampliação do atendimento digital e da telessaúde.

A proposta procura, assim, reduzir deslocamentos dos pacientes e ampliar a oferta de atendimento especializado nas diferentes regiões do Estado.

Segurança pública: integração e inteligência

Para a segurança pública, o plano propõe uma atuação baseada na presença territorial, integração entre instituições e utilização de dados para orientar o trabalho policial.

Entre as medidas estão a integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e sistema prisional, além do fortalecimento das estruturas de inteligência.

O programa também prevê ações de enfrentamento às organizações criminosas, com atenção à estrutura financeira desses grupos, além de medidas específicas de prevenção e combate ao feminicídio.

A modernização das delegacias, a digitalização dos registros policiais, o fortalecimento da investigação e a recomposição das forças de segurança integram o conjunto de propostas. O documento também contempla investimentos no sistema prisional e socioeducativo.

Educação: aprendizagem, tecnologia e formação profissional

Na educação, o plano estabelece como prioridades a alfabetização, a recuperação da aprendizagem e o combate à evasão escolar.

A proposta de ampliação do ensino em tempo integral inclui conteúdos relacionados à educação financeira, empreendedorismo, cidadania e habilidades práticas. O programa também prevê maior presença de tecnologia nas escolas, com iniciativas de programação, robótica e inteligência artificial.

Outro ponto é a reformulação do programa Trilhas de Futuro para aproximar a formação profissional das necessidades econômicas de cada região.

Infraestrutura escolar, transporte, alimentação, segurança nas unidades e valorização da carreira dos professores completam a agenda educacional.

Economia e emprego: desenvolvimento regional

O plano econômico aposta na simplificação do ambiente de negócios e na descentralização das políticas de atração de investimentos.

Entre as iniciativas estão o Exporta Mais Minas, o Compete Minas e a regionalização da atuação da Invest Minas. O objetivo é ampliar a capacidade de municípios e regiões de atrair empresas, investimentos e novas atividades econômicas.

O documento também destaca setores considerados estratégicos para o futuro da economia mineira, como mineração, terras raras e minerais estratégicos.

O BDMG aparece como instrumento de financiamento, enquanto parcerias com entidades empresariais, cooperativas e instituições de apoio ao empreendedorismo são apresentadas como parte da estratégia de geração de emprego e renda.

Infraestrutura: manutenção, investimentos e conectividade

Na infraestrutura, o programa estabelece como prioridade a realização de investimentos sem criação de novas cobranças de pedágio.

O documento propõe fiscalização rigorosa dos contratos de concessão e vincula eventuais reajustes à efetiva entrega das obrigações previstas. Também prevê o fortalecimento do DER-MG e apoio aos municípios na recuperação de estradas rurais.

Outra proposta é a criação de um painel público digital de acompanhamento das obras estaduais, permitindo maior transparência sobre cronogramas e execução.

Na mobilidade, o plano contempla a fiscalização da concessão do Metrô-BH, com atenção à Linha 1 e à implantação da Linha 2. Também aparecem propostas de expansão da conectividade digital, do sinal 5G no interior e em áreas rurais, além da modernização de aeroportos regionais e integração com a infraestrutura ferroviária.

Agro como vetor de desenvolvimento

O agronegócio ocupa posição própria no programa. A proposta combina simplificação administrativa, infraestrutura, assistência técnica, crédito e estímulo à agregação de valor.

O plano prevê um ambiente digital único para licenças, documentos e inspeções, além de investimentos em irrigação, segurança hídrica e recuperação de pastagens.

O programa Minas Rural Empreendedor, coordenado pela Emater-MG, pretende ampliar a assistência técnica e o apoio à gestão das pequenas propriedades.

Também estão previstas compras institucionais da agricultura familiar, capacitação de jovens para permanência no campo, regularização de agroindústrias artesanais, linhas de crédito e expansão da eletrificação e das energias renováveis nas propriedades rurais.

Proteção social e inclusão

Na área social, a proposta é concentrar recursos nos municípios com maiores níveis de vulnerabilidade.

O Índice Mineiro de Vulnerabilidade Familiar será utilizado para orientar a distribuição de recursos e políticas públicas. O plano também prevê maior integração entre CRAS, CREAS, saúde e educação.

Entre as ações estão o fomento à segurança alimentar, a regularização fundiária urbana, a qualificação profissional vinculada às necessidades do mercado, aos programas de formação digital e primeiro emprego para jovens.

A proteção às mulheres, políticas de enfrentamento às discriminações, inclusão de pessoas com deficiência e apoio às APAEs também fazem parte da agenda social. O programa inclui ainda ações de prevenção e tratamento de dependências e de problemas relacionados às apostas eletrônicas.

Saneamento, meio ambiente e futuro

A agenda ambiental está associada à expansão do saneamento, à recuperação de recursos hídricos e ao fortalecimento da capacidade de fiscalização.

O plano prevê acelerar metas de saneamento, reforçar a atuação regulatória da Arsae-MG e melhorar a gestão de resíduos por meio da coleta seletiva e de consórcios intermunicipais.

Na área ambiental, aparecem propostas de modernização do licenciamento, sem redução do rigor técnico, além do monitoramento de riscos, adaptação às mudanças climáticas e criação de sistemas municipais de alerta.

A recuperação de bacias hidrográficas e nascentes e a atração de investimentos para energia renovável, eficiência energética, economia de baixo carbono e reciclagem completam essa frente.

Cultura e turismo como instrumentos de desenvolvimento

O último eixo do programa trata cultura, turismo e identidade mineira como atividades capazes de gerar trabalho, renda e desenvolvimento regional.

A proposta é descentralizar recursos culturais para os municípios do interior, simplificar editais e apoiar cidades que preservam patrimônio histórico e manifestações culturais.

O plano também prevê estímulo ao artesanato e à gastronomia tradicional, ampliação do turismo social, estruturação de roteiros regionais e qualificação profissional.

A melhoria da infraestrutura turística, incluindo sinalização, acessibilidade e centros de atendimento, aparece associada ao incentivo a festivais, feiras e eventos comunitários.

Um programa baseado em execução

Mais do que apresentar uma única política pública como prioridade absoluta, o plano de governo organiza sua proposta em dez grandes eixos: governo a serviço das pessoas; saúde; segurança pública; educação; economia e emprego; infraestrutura; agro; proteção social; desenvolvimento sustentável; e cultura e turismo.

O elemento comum entre essas áreas é a tentativa de combinar controle de gastos, descentralização, digitalização e cobrança de resultados.

Para uma administração estadual com limitações fiscais, o principal desafio será transformar uma agenda extensa em prioridades executáveis, com recursos definidos, metas mensuráveis e capacidade de coordenação entre Estado e municípios.

O modelo proposto aposta justamente nessa capacidade de execução: uma estrutura administrativa mais enxuta, acompanhamento permanente das entregas, maior participação regional e utilização de ferramentas digitais para aproximar o poder público do cidadão.

Nesse desenho, a principal marca da futura gestão será menos a criação de novas estruturas e mais a tentativa de reorganizar as existentes para entregar serviços com maior eficiência, transparência e presença regional

Fontes:

Tribunal Superior Eleitoral

Senado Federal

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