Da política municipal ao comando do Executivo estadual
A trajetória de Lucas Ribeiro é marcada pela passagem por diferentes funções do poder público, da Câmara Municipal de Campina Grande ao Governo da Paraíba. Advogado, mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e doutorando em Políticas Públicas, ele construiu sua carreira política com atuação na administração municipal e, posteriormente, na gestão estadual.
Filiado ao Progressistas (PP), Ribeiro iniciou sua trajetória institucional como vereador de Campina Grande, onde atuou entre 2017 e 2020. Na sequência, assumiu a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, área que se tornaria uma das referências de sua atuação administrativa. Entre 2021 e 2022, exerceu o cargo de vice-prefeito do município, ampliando sua experiência na articulação entre as demandas locais e a execução de políticas públicas.
Em 2022, foi eleito vice-governador da Paraíba na chapa encabeçada por João Azevêdo. Durante esse período, participou da administração estadual e acompanhou iniciativas relacionadas ao desenvolvimento econômico, à infraestrutura e à ampliação dos serviços públicos. Em 2 de abril de 2026, assumiu o governo estadual após a renúncia de Azevêdo, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal.
A eleição de outubro de 2026 consolidou sua posição no cenário político paraibano. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ribeiro foi eleito governador no primeiro turno, com 64,34% dos votos válidos contabilizados na apuração divulgada pela Justiça Eleitoral.
Filho da senadora Daniella Ribeiro e neto do ex-prefeito de Campina Grande Enivaldo Ribeiro, Lucas pertence a uma família com presença histórica na política estadual. Sua formação jurídica e acadêmica, somada à experiência nos Executivos municipal e estadual, compõem o perfil de um gestor cuja trajetória está vinculada à administração pública e à articulação política.
Ao assumir o novo mandato, o desafio será transformar a experiência acumulada em resultados mensuráveis, preservando a capacidade de execução do governo e ampliando a qualidade dos serviços oferecidos à população. A tarefa envolve equilibrar as demandas da Região Metropolitana de João Pessoa com as necessidades do Agreste, do Brejo, do Cariri, do Curimataú, do Seridó e do Sertão, territórios com diferentes condições econômicas, sociais e ambientais.
Sete eixos para orientar a gestão
O plano de governo apresentado por Lucas Ribeiro e pela vice-governadora eleita, Lígia Feliciano, adota como diretriz a construção de uma Paraíba que combine desenvolvimento econômico, redução das desigualdades e modernização administrativa. Organizado em sete eixos estratégicos, o documento relaciona políticas setoriais a metas de desenvolvimento sustentável e à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
A proposta parte de uma premissa importante para a administração pública: o desenvolvimento estadual depende tanto da capacidade de atrair investimentos quanto da oferta de serviços públicos, da integração territorial e da eficiência na aplicação dos recursos. Nesse sentido, o programa articula ações de segurança, saúde, educação, assistência social, inovação, infraestrutura e sustentabilidade.
A execução dessa agenda exigirá coordenação entre secretarias, integração com os municípios, participação social e mecanismos de monitoramento capazes de acompanhar o cumprimento das metas.
Segurança pública e proteção da vida
O primeiro eixo prevê uma política de segurança baseada na integração operacional, no uso de tecnologia e no fortalecimento da inteligência policial e penitenciária. Entre as medidas estão a implantação de novos Centros Integrados de Comando e Controle, a ampliação do monitoramento por câmeras inteligentes e drones, o aperfeiçoamento das estruturas policiais e a modernização da Polícia Científica.
O plano também contempla ações de enfrentamento à violência contra as mulheres, com ampliação das Delegacias da Mulher, fortalecimento da Patrulha Maria da Penha e expansão de serviços de acolhimento e proteção. O combate aos crimes de ódio e à violência discriminatória aparece associado à produção de dados territorializados, à ampliação dos canais de denúncia e à qualificação das equipes de atendimento.
Outro componente é a reorganização do sistema prisional, com investimentos em inteligência, controle e programas de trabalho, educação e ressocialização. A proposta busca relacionar segurança pública e prevenção da reincidência, reconhecendo que a redução da criminalidade depende de atuação coordenada entre as instituições.
Para a gestão estadual, o principal desafio será integrar as forças de segurança, estabelecer protocolos comuns e avaliar os resultados das medidas adotadas. Indicadores como a evolução dos crimes violentos, a capacidade de investigação, o tempo de resposta às ocorrências e a reincidência criminal podem contribuir para aferir a efetividade das políticas.
Saúde e educação como pilares do desenvolvimento humano
O segundo eixo reúne propostas para saúde, educação, cultura, esporte e bem-estar social. A intenção é ampliar o acesso aos serviços, fortalecer as redes de atendimento e melhorar as condições de vida da população, com atenção especial às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Na saúde, o plano prevê o fortalecimento da atenção primária e especializada, a consolidação do Centro Estadual de Regulação Hospitalar e a ampliação de programas como o Opera Paraíba, o Paraíba contra o Câncer e o Coração Paraibano. A expansão da Saúde Digital, com prontuário eletrônico e serviços de telessaúde, também integra a estratégia de modernização.
O documento propõe reforçar a assistência materna, ampliar a oferta de medicamentos especializados, expandir a rede de atenção psicossocial e fortalecer os serviços destinados a pessoas idosas, crianças e adolescentes. Também prevê a conclusão e o aparelhamento de unidades hospitalares, incluindo os Hospitais da Mulher de Campina Grande e Sousa e o Hospital de Trauma do Sertão.
A efetividade dessas medidas dependerá da capacidade de ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos, reduzir o tempo de espera e distribuir profissionais e equipamentos de acordo com as necessidades regionais. A integração entre os serviços estaduais e municipais será decisiva para evitar a concentração do atendimento nas cidades de maior porte.
Na educação, o programa enfatiza a permanência escolar, o reforço da aprendizagem e a valorização dos profissionais. Entre as propostas estão a busca ativa de estudantes, o acompanhamento pedagógico, a modernização da infraestrutura escolar e a ampliação de recursos digitais.
O plano também prevê expandir o ensino médio integral e a educação técnica e profissional, fortalecer a Universidade Estadual da Paraíba e criar o Passe Livre Universitário para estudantes do ensino superior. A formação profissional aparece, assim, como instrumento de inclusão e de preparação da mão de obra para as novas oportunidades econômicas.
A articulação entre educação, inovação e mercado de trabalho constitui um dos pontos de convergência da proposta: melhorar a aprendizagem e ampliar a qualificação são condições para elevar a produtividade e favorecer a inserção profissional dos jovens.
Inclusão social, equidade e garantia de direitos
O terceiro eixo amplia a abordagem do desenvolvimento humano ao reunir políticas para mulheres, população LGBTQIAPN+, igualdade racial, pessoas com deficiência, pessoas com transtorno do espectro autista, assistência social, habitação e proteção animal.
Para as mulheres, o plano prevê ações de autonomia econômica, acesso ao crédito e à qualificação profissional, além da ampliação da rede de proteção contra a violência. A proposta inclui novos serviços de acolhimento, abrigos emergenciais e integração entre segurança, saúde, assistência social e Justiça.
Na área de inclusão, estão previstas a expansão dos Centros de Atendimento ao Autista, a regionalização dos serviços de reabilitação e o fortalecimento da educação inclusiva. O documento também contempla iniciativas voltadas à escolarização, à qualificação profissional e à inserção produtiva de grupos historicamente sujeitos à discriminação.
A assistência social deverá ampliar a cobertura de serviços do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com novos Centros de Referência Especializados de Assistência Social e serviços direcionados aos territórios de maior demanda. Na habitação, o programa prevê ampliar o atendimento a famílias de baixa renda e promover a regularização fundiária urbana e rural.
A criação de uma Rede Estadual de Causa Animal, com clínicas veterinárias públicas, hospitais veterinários, vacinação e castração, complementa o conjunto de propostas.
Do ponto de vista da gestão, a implementação dessas medidas exige coordenação intersetorial, critérios transparentes de acesso e distribuição territorial dos equipamentos. O desempenho poderá ser acompanhado pela cobertura dos serviços, pelo número de pessoas atendidas e pela redução das desigualdades no acesso às políticas públicas.
Economia produtiva, inovação e geração de trabalho
O quarto eixo apresenta uma estratégia de desenvolvimento apoiada na diversificação econômica, no fortalecimento das cadeias produtivas e na expansão da capacidade de inovação. A proposta contempla indústria, comércio, agropecuária, agricultura familiar, turismo, ciência e tecnologia.
Entre as iniciativas estão a consolidação dos pólos estaduais de desenvolvimento, a criação de um pólo farmoquímico e o fortalecimento do polo tecnológico de Campina Grande. O programa também prevê a criação de três distritos industriais na Região Metropolitana de João Pessoa e o aperfeiçoamento das condições para atração de investimentos.
Na agropecuária, a prioridade é fortalecer a agricultura familiar e atividades como a pecuária leiteira, a caprinovinocultura, a avicultura e a carcinicultura. O plano propõe ampliar a assistência técnica e estimular o processamento agroindustrial de produtos regionais, agregando valor à produção e favorecendo a geração de renda.
A inovação ocupa posição relevante na agenda econômica. O documento prevê ampliar o apoio a startups, incubadoras e ambientes de inovação, aproximar universidades e empresas e fortalecer a formação de profissionais qualificados. Também destaca o desenvolvimento de tecnologias avançadas e a expansão da conectividade digital.
No turismo, a estratégia é diversificar a oferta e descentralizar os benefícios econômicos, articulando roteiros culturais, gastronômicos, religiosos, científicos e de natureza. A proposta inclui a construção do Centro de Convenções do Sertão e do Museu da Arqueologia, além da qualificação de trabalhadores para atender às demandas do setor.
A combinação dessas medidas poderá ampliar a competitividade da economia paraibana, desde que os incentivos públicos estejam associados a metas de investimento, geração de empregos e desenvolvimento regional. Para a administração estadual, será fundamental avaliar o retorno econômico dos incentivos e fortalecer as conexões entre empresas, universidades, produtores e mercados consumidores.
Governança digital e gestão pública moderna
O quinto eixo aborda diretamente a capacidade institucional do Estado. O programa propõe modernizar a gestão de pessoas, realizar concursos públicos, atualizar carreiras e promover reajustes salariais compatíveis com a sustentabilidade fiscal.
A qualificação dos servidores para o uso de tecnologias digitais e análise de dados é outro componente central. O plano prevê ampliar a atuação da Escola de Serviço Público da Paraíba, modernizar os serviços tributários e fortalecer os instrumentos de monitoramento de desempenho e gestão patrimonial.
Também estão previstas a expansão do programa Paraíba Digital, melhorias permanentes no Portal da Transparência e a ampliação da participação social por meio do Orçamento Democrático Estadual.
A proposta ganha relevância diante da necessidade de transformar informações administrativas em decisões mais precisas, reduzir entraves burocráticos e ampliar a capacidade de resposta do governo. A digitalização, contudo, precisará vir acompanhada de integração entre sistemas, proteção de dados, acessibilidade e alternativas presenciais para cidadãos com dificuldades de acesso à tecnologia.
Outro desafio será compatibilizar as prioridades de investimento com as receitas disponíveis. O plano prevê preparar o Estado para a transição decorrente da reforma tributária, modernizar a inteligência fiscal e fortalecer a sustentabilidade das contas públicas.
A execução desse eixo poderá ser acompanhada por indicadores como tempo de atendimento, custo dos serviços, disponibilidade de dados públicos, cumprimento de metas e qualidade da prestação de contas. Esses instrumentos são importantes para demonstrar se a modernização administrativa está efetivamente melhorando a vida da população.
Desenvolvimento territorial e interiorização das oportunidades
A redução das desigualdades regionais é uma das diretrizes transversais do programa. O sexto eixo propõe fortalecer os polos produtivos, integrar universidades e escolas técnicas aos setores econômicos e consolidar cadeias produtivas ligadas à agropecuária, à indústria, ao turismo, ao comércio e aos serviços.
A intenção é ampliar a circulação de investimentos e oportunidades para além dos principais centros urbanos. Para isso, o plano valoriza as vocações econômicas do Litoral, do Agreste, do Brejo, do Cariri, do Curimataú, do Seridó e do Sertão.
O documento também contempla medidas para reduzir vulnerabilidades em áreas afetadas por estiagens, enchentes repentinas e desertificação, além de prever participação social na formulação de políticas destinadas aos povos e às comunidades tradicionais.
A interiorização, nessa perspectiva, não se limita à construção de obras. Envolve aproximar serviços públicos, qualificar a mão de obra, fortalecer os municípios e criar condições para que a atividade econômica gere renda nos diferentes territórios.
A execução dessa estratégia exigirá planejamento regional, pactuação de prioridades com as prefeituras e mecanismos de distribuição de recursos que considerem as diferenças de infraestrutura e de capacidade administrativa entre os municípios.
Infraestrutura, mobilidade e sustentabilidade ambiental
O sétimo eixo concentra propostas de infraestrutura hídrica, saneamento, mobilidade, logística, energia e proteção ambiental. Em um estado marcado por áreas sujeitas à escassez de água, a segurança hídrica ocupa posição estratégica para o abastecimento humano, a produção e a resiliência climática.
O plano prevê ampliar a coleta e o tratamento de esgoto, aumentar o acesso à água tratada, reduzir perdas na distribuição e concluir etapas do programa Novas Adutoras, com destaque para os ramais do Cariri e do Curimataú. A construção de barragens também integra a agenda apresentada.
Na infraestrutura rodoviária, o documento estabelece a meta de implantar mais de 800 quilômetros de novas rodovias e requalificar mais de 200 quilômetros de estradas existentes. Prevê ainda novos lotes do programa Travessias Urbanas e a criação do programa Estrada Segura, com foco na pavimentação e nos corredores logísticos.
O Porto de Cabedelo aparece como peça importante para a integração da produção paraibana aos mercados. A ampliação do dique e a criação de uma rota regular de exportação de açúcar e produtos da bioeconomia estão entre as iniciativas propostas.
A agenda inclui ainda eficiência energética em prédios públicos, gestão regionalizada de resíduos sólidos e ações de proteção ambiental. O desafio será compatibilizar a expansão da infraestrutura com a sustentabilidade, o licenciamento adequado e a manutenção dos investimentos ao longo do tempo.
Para a gestão pública, o acompanhamento dessas obras deverá considerar não apenas os quilômetros construídos, mas também os custos, os prazos, a qualidade dos serviços e os efeitos sobre a mobilidade, a segurança hídrica e a atividade econômica.
O desafio de transformar propostas em resultados
A agenda de Lucas Ribeiro articula continuidade administrativa, modernização do Estado e expansão de políticas públicas em diferentes áreas. Seu principal mérito como documento de planejamento é reunir desenvolvimento econômico, proteção social e infraestrutura em uma visão territorial abrangente, reconhecendo que as necessidades da Paraíba variam de acordo com as características de cada região.
A efetividade do programa, entretanto, dependerá da capacidade de transformar diretrizes em metas verificáveis, com orçamento definido, cronogramas, responsáveis e mecanismos de avaliação. A coordenação entre órgãos estaduais e municípios, a valorização dos servidores e a transparência na execução serão fundamentais para assegurar que os investimentos alcancem os públicos e territórios previstos.
Outro ponto decisivo será estabelecer prioridades compatíveis com a capacidade fiscal do Estado. A amplitude das propostas exige planejamento plurianual, acompanhamento de custos e critérios claros para a escolha dos projetos, evitando a dispersão de recursos e favorecendo iniciativas com maior impacto social e econômico.
A combinação entre inovação, qualificação profissional, infraestrutura e fortalecimento dos serviços essenciais oferece um caminho para ampliar a capacidade de desenvolvimento da Paraíba. O resultado dependerá, porém, da implementação: é nessa passagem entre o compromisso programático e a entrega concreta que será possível avaliar a qualidade da gestão.
Para uma administração pública orientada a resultados, o indicador central não será apenas o número de projetos anunciados ou iniciados, mas a capacidade de melhorar serviços, reduzir desigualdades, ampliar oportunidades e prestar contas à sociedade. Esse será o principal parâmetro para medir a contribuição do governo de Lucas Ribeiro para o desenvolvimento estadual.
Fontes de pesquisa
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Governo do Estado da Paraíba
Jornal da Paraíba.

