Pular para o conteúdo
  • Início  
  • Educação, inteligência artificial e governos digitais impulsionam nova agenda de transformação social
- Transformação Digital

Educação, inteligência artificial e governos digitais impulsionam nova agenda de transformação social

Uso estratégico de dados, integração digital e aplicação ética da inteligência artificial ampliam possibilidades para inovação educacional, inclusão tecnológica e modernização dos serviços públicos.

Fernando Filgueiras, diretor de Inovação do MEC

Uso estratégico de dados, integração digital e aplicação ética da inteligência artificial ampliam possibilidades para inovação educacional, inclusão tecnológica e modernização dos serviços públicos.

A consolidação dos governos digitais e o avanço da inteligência artificial vêm transformando a maneira como o poder público formula políticas, organiza serviços e se relaciona com a população. Na educação, esse processo abre novas possibilidades para personalização da aprendizagem, fortalecimento da gestão pública baseada em evidências e ampliação da inclusão digital em diferentes territórios do País.

O debate ganhou destaque durante o XV Congresso Consad de Gestão Pública, em discussões sobre educação, inteligência artificial e transformação digital como elementos centrais para o desenvolvimento social e institucional brasileiro.

Segundo o diretor de Inovação, Estratégia Digital e Conhecimento do Ministério da Educação (MEC), Fernando Filgueiras, o avanço da transformação digital exige que o Estado vá além da simples criação de sistemas tecnológicos. “O grande debate atual sobre transformação digital está em como trabalhamos os dados e as infraestruturas de dados”, afirmou.

Ele explicou que pensar transformação digital significa compreender a importância estratégica das infraestruturas de compartilhamento de dados entre União, estados e municípios, especialmente na formulação de políticas públicas mais eficientes e conectadas às necessidades da população.

Dados, educação e inovação pública

Atualmente, diferentes iniciativas federais vêm utilizando bases de dados integradas para aprimorar políticas educacionais e ampliar o alcance de programas públicos.

Segundo Fernando Filgueiras, dados compartilhados entre entes federativos permitem aperfeiçoar a comunicação com estudantes do Ensino Médio, especialmente em programas ligados ao acesso ao Ensino Superior e à permanência escolar.

“No caso dos programas federais, conseguimos utilizar sistemas de mensageria para promover mudanças importantes na ampliação da inclusão desses jovens em diferentes políticas públicas, como o Enem, o ProUni, o Fies e outras iniciativas voltadas ao Ensino Médio”, destacou.

O diretor ressaltou a importância da Infraestrutura Nacional de Dados da Educação, considerada um dos projetos estratégicos do MEC para fortalecer a integração federativa e ampliar a capacidade de inovação no setor educacional.

Segundo ele, governar a partir de infraestruturas de dados não significa apenas construir sistemas, mas utilizar informações de forma estratégica para aprimorar serviços públicos e desenvolver novas soluções apoiadas em inteligência artificial.

“Do ponto de vista científico, significa utilizar os dados para aprimorar os serviços públicos e também para inovar nesses serviços por meio da inteligência artificial”, explicou.

Inteligência artificial e personalização da aprendizagem

Entre os principais impactos da inteligência artificial na educação pública brasileira está a possibilidade de personalizar processos de aprendizagem em larga escala.

Fernando Filgueiras afirma que diferentes redes estaduais e municipais já vêm desenvolvendo experiências voltadas à utilização de dados para compreender necessidades específicas dos estudantes e construir modelos educacionais mais individualizados.

“Isso significa utilizar dados para compreender, individualmente, quais são as necessidades de cada estudante e quais competências são fundamentais para sua formação”, afirmou.

Experiências nos estados de Goiás e do Ceará foram citadas como exemplos de iniciativas que utilizam inteligência artificial e análise de dados para fortalecer políticas educacionais e apoiar a aprendizagem.

No entendimento do diretor, a inteligência artificial pode se tornar um componente estratégico de fortalecimento das políticas públicas de educação, desde que associada a princípios de inclusão, responsabilidade e interesse público.

A inteligência artificial desponta como elemento estratégico na transformação da educação pública, permitindo a personalização da aprendizagem em larga escala, o uso qualificado de dados para tomada de decisão e a criação de políticas mais eficientes, inclusivas e orientadas às necessidades reais da população.

Riscos, soberania digital e uso ético da IA

Ao mesmo tempo em que amplia oportunidades, o avanço da inteligência artificial também traz desafios relacionados à proteção de dados, transparência, soberania digital e redução das desigualdades.

Durante o debate, foram apresentados pontos de atenção ligados à reprodução de vieses algorítmicos, dependência tecnológica e fragilidades na proteção de informações pessoais.

Nesse contexto, o MEC vem desenvolvendo iniciativas voltadas à construção de ambientes regulatórios experimentais para uso responsável da inteligência artificial na educação.

Uma das ações apresentadas foi o Sandbox Regulatório do MEC, ambiente experimental criado para testar soluções de IA aplicadas à educação em condições supervisionadas e com acompanhamento técnico, ético e pedagógico.

O projeto busca promover o uso responsável, seguro e eficaz da inteligência artificial no contexto educacional brasileiro, além de estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas ao interesse público.

Filgueiras afirma que o avanço da inteligência artificial na administração pública depende da construção de modelos colaborativos entre diferentes instituições e da criação de soluções compartilhadas.

“Precisamos pensar em integrações que sirvam aos diferentes propósitos de interesse público e que reduzam os problemas relacionados à soberania digital no Brasil”, destacou.

Tecnologia como instrumento de transformação social

As discussões realizadas durante o Congresso Consad reforçaram que transformação digital não se resume à modernização tecnológica, mas envolve também inclusão social, desenvolvimento humano e fortalecimento das capacidades institucionais do Estado.

Ao integrar inteligência artificial, infraestrutura de dados e políticas públicas, governos digitais passam a atuar como ferramentas estratégicas para ampliar acesso a direitos, melhorar serviços públicos e construir modelos de gestão mais eficientes, transparentes e conectados às necessidades da população.

Infográfico IA e Governo Digital: a nova fronteira da educação brasileira, com oportunidades, riscos e iniciativas do MEC
IA e Governo Digital: a nova fronteira da educação brasileira

Revista Gestão Pública & Desenvolvimento @ 2026. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade · Termos de Uso