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Governança patrimonial transforma ativos públicos em ferramenta estratégica de gestão

Modernizar a gestão de bens públicos exige mudança de cultura institucional, fortalecimento da governança e integração entre controle, planejamento e eficiência administrativa.

Diogo Duarte fala sobre governança patrimonial no XV Consad

Modernização da gestão de bens públicos exige mudança de cultura institucional, fortalecimento da governança e integração entre controle, planejamento e eficiência administrativa.

A gestão do patrimônio público vem passando por um processo de transformação dentro da administração pública brasileira. Mais do que controlar imóveis, equipamentos e bens permanentes, governos têm buscado desenvolver modelos de governança patrimonial capazes de integrar planejamento, eficiência administrativa e geração de valor público. Nesse contexto, o patrimônio deixa de ser tratado apenas como uma área operacional ou burocrática e passa a ocupar posição estratégica dentro das políticas de gestão pública.

A ausência de mecanismos eficientes de governança faz com que parte significativa dos ativos públicos permaneça subutilizada, desatualizada ou desconectada das estratégias governamentais. Imóveis ociosos, falhas em inventários, dificuldades de rastreamento de bens e ausência de fiscalização adequada ainda fazem parte da realidade de muitos órgãos públicos brasileiros. Sem organização e acompanhamento permanente, o patrimônio deixa de gerar valor público e perde capacidade de apoiar políticas estratégicas da administração.

Ao mesmo tempo, a modernização patrimonial exige mudanças que vão além da adoção de normas e sistemas tecnológicos. O processo envolve transformação cultural, capacitação institucional e fortalecimento da responsabilidade compartilhada sobre os bens públicos. Para Diogo Duarte, especialista na área de gestão patrimonial, os principais desafios estão relacionados à construção de uma cultura organizacional mais integrada e comprometida com a governança dos ativos públicos. “O patrimônio é gestão de todos os responsáveis por bens”, afirmou.

Resultado de gestão patrimonial é 30% técnica e 70% lidar com pessoas.

Diogo Duarte, especialista em gestão patrimonial

Segundo ele, os resultados da gestão patrimonial dependem menos de soluções puramente técnicas e mais da capacidade das instituições de mobilizar gestores e servidores em torno de práticas permanentes de controle e acompanhamento. O especialista ressalta que a criação de normas internas, isoladamente, não garante mudanças efetivas nos processos administrativos. “De que adianta eu ter uma norma sem fiscalização? A cultura não muda”, afirmou.

Nesse cenário, iniciativas de modernização patrimonial vêm apostando em programas de capacitação, atualização de procedimentos internos e fortalecimento de mecanismos de governança como estratégias para ampliar eficiência e reduzir falhas operacionais. A reorganização da gestão patrimonial também contribui para melhorar processos de compras públicas, controle de ativos, planejamento orçamentário e transparência administrativa.

Em muitos casos, ativos públicos ainda pouco utilizados representam oportunidades de geração de valor econômico, otimização de recursos e melhoria da prestação de serviços — fenômeno descrito por especialistas como um verdadeiro “ouro oculto” da administração pública. A adoção de práticas modernas de governança patrimonial vem permitindo que governos integrem patrimônio, planejamento e gestão estratégica de maneira mais eficiente, sustentável e alinhada às necessidades da população.

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