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Conhecimento que transforma a gestão pública: conheça os artigos premiados no XV Congresso Consad

A premiação dos artigos técnicos reconhece pesquisas e experiências que contribuem para o fortalecimento da gestão pública brasileira. Confira os premiados nos seis eixos temáticos e os resumos dos primeiros colocados.

Conhecimento que transforma a gestão pública: conheça os artigos premiados no XV Congresso Consad

A premiação dos artigos técnicos é o reconhecimento de pesquisas e experiências que contribuem para o fortalecimento da gestão pública brasileira, incentivando a disseminação de soluções, boas práticas e reflexões sobre os desafios enfrentados pelo setor.

A produção de conhecimento voltado à inovação e ao aprimoramento da administração pública foi um dos destaques do Congresso Consad.

Nesta edição, os trabalhos finalistas foram distribuídos em seis eixos temáticos: Inteligência Artificial e o Futuro da Administração Pública; Cultura Organizacional e Gestão Estratégica de Pessoas; Governo Digital e Transparência; Reinventando o Estado; Gestão Eficiente e Sustentável; e Investimentos e Gestão de Ativo.

Os estudos abordam temas atuais e estratégicos para o setor público, apresentando propostas, análises e experiências capazes de contribuir para a construção de governos mais inovadores, eficientes e orientados ao cidadão. A seguir, confira a relação dos artigos premiados e seus respectivos autores.

Eixo I – Inteligência Artificial e o Futuro da Administração Pública

  • 1º lugar: Inteligência Artificial para Otimização da Gestão de Documentos na Administração Pública – Jussara Teixeira, Wideraldo Patrocínio, Juliana Oliveira de Almeida e Tania Barbosa Salles Gava.
  • 2º lugar: Inteligência Artificial e Low-Code na Gestão do Conhecimento: Um Método Aplicado para Continuidade e Alto Desempenho Organizacional – Jonatas Costa de Oliveira, Josafá de Souza Gomes Júnior, Lucas Teixeira de Morais e Eulídio Regadas de Souza.
  • 3º lugar: Inteligência Artificial em Licitações Públicas: uma análise bibliográfica sobre a produção científica recente – Lanna Moreira da Silva de Carvalho e Luís Miguel Dias Caetano.

Eixo II – Cultura Organizacional e Gestão Estratégica de Pessoas: um caminho para a excelência

  • 1º lugar: O reposicionamento estratégico da Gestão de Pessoas no setor público: a experiência de uma unidade setorial de Recursos Humanos – Edna Maria da Cruz Barros, Giovanna Nogueira Machado Schffer, Isabella Soares Mayrink e Hugo Leonardo Souza Maciel.
  • 2º lugar: Da Conformidade à Maturidade: Proposta Metodológica para Avaliação Institucional em Escolas de Governo – Yasmin Maria Ribeiro Alencar, Priscila Helena Franco, Henrique Dantas de Santana e Emanuelle Nobre Leal.
  • 3º lugar: Diversidade Funcional no Serviço Público: o que os Dados Revelam sobre Acesso, Permanência e Liderança – Luiza Lott de Araújo, Letícia Napoles Villela, Amanda Naessa Gonçalves Miranda e Luciana Silva Custódio.

Eixo III – Governo Digital e Transparência: construindo um futuro mais aberto

  • 1º lugar: Inteligência de Dados na Ouvidoria Pública: Painel Gerencial como Instrumento de Governança Digital – Alana Gabriela Soares de Lima.
  • 2º lugar: Governo Orientado por Dados no Combate à Evasão Escolar: o Uso de Business Intelligence no Programa “Vem que Dá Tempo” – Mateus Henrique Gomes da Silva Bispo e Eric Alves do Nascimento.
  • 3º lugar: A implantação da Carteira de Identidade Nacional nos Estados e no Distrito Federal: Avanços e Desafios para a Consolidação da Identificação Única no Contexto do Governo Digital Brasileiro – Rodrigo Diniz Lara, Izabela França Rodrigues, Elisângela Cristina Aganette e Mariana Villela Nunes.

Eixo IV – Reinventando o Estado: desafios e oportunidades

  • 1º lugar: Aprimoramento do modelo de carreiras no Poder Executivo: desafios e perspectivas para a construção de carreiras administrativas transversais – Luciana Meireles Ribeiro, Gabriela Carneiro Lima e Luísa Werner de Oliveira Campos Guerra.
  • 2º lugar: Inovação na Gestão do Combustível: da Execução Fragmentada à Governança Orientada por Dados – Mar’Anna Allyce de Lima Barros, Siria Libania Agustinho de Oliveira, Alexandre Jose Sarmento de Medeiros e Davi de Freitas Oliveira.
  • 3º lugar: Internacionalização Subnacional e Direito Administrativo: a missão governamental no Poder Executivo de Minas Gerais – Lucas Franco.

Eixo V – Gestão Eficiente e Sustentável: práticas e desafios na administração pública

  • 1º lugar: Avaliação da Eficiência em Políticas Socioeducativas por Meio de Indicadores de Desempenho – Eudes de Oliveira Bomfim, Washington Luiz de Goes, José Vinícius Rodrigues Garção e Ednilson Silva Oliveira.
  • 2º lugar: Entre o ajuste e a sustentabilidade: RRF e PROPAG em perspectiva comparada em Minas Gerais – Paloma Pâmela Braga Guedes e Gustavo Rodrigues de Oliveira.
  • 3º lugar: Monitoramento Preditivo e Governança de Dados: O Índice de Sustentabilidade Fiscal (ISF) como Ferramenta de Antecipação de Crises – Sarah Mesquita Lima, Raimir Holanda Filho, Edilberto Carlos Pontes Lima e Diego Araújo de Lima.

Eixo VI – Investimentos e Gestão de Ativo

  • 1º lugar: Centros administrativos como estratégia de governança patrimonial: estudo de caso sobre racionalização de locações públicas – Felipe Carvalho Guilhermette, Heloisa Meyer Toledo, Jéssika Di Paula Souza de Oliveira e Marta Cristina Guizelini.
  • 2º lugar: Reaproveitar, Doar e Leiloar: um modelo de gestão de bens inservíveis orientado a valor público no Município de Itajaí – Mauricio da Silva Correia, Giovani Candaten, Márcio Gazaniga Moraes e Jaime Márcio Espíndola.
  • 3º lugar: Governança de Ativos Energéticos em Órgãos Públicos: Contribuição de um Painel de Dados Integrado – Ricardo Penna de Azevedo Filho, Charles Dias de Almeida, Gustavo Mateus Ferreira e Rafael de Oliveira Fontes.

Resumos dos primeiros colocados

A seguir, apresentamos os resumos dos artigos reconhecidos nesta edição. Mais do que registrar boas práticas, os estudos contribuem para o fortalecimento da produção de conhecimento aplicada ao setor público, promovendo o intercâmbio de experiências e inspirando novas iniciativas em diferentes esferas de governo.

Eixo I – Inteligência artificial para otimização da gestão de documentos na administração pública

Autores: Jussara Teixeira, Wideraldo Patrocínio, Juliana Oliveira de Almeida e Tania Barbosa Salles Gava.

Este artigo discute a viabilidade institucional do uso de Inteligência Artificial (IA) na administração pública, a partir da experiência de incorporação de um serviço inteligente de apoio à classificação de processos administrativos em suporte papel.

A iniciativa foi integrada ao sistema estadual de gestão de processos administrativos em suporte papel, mantendo a decisão final sob responsabilidade humana e assegurando aderência aos instrumentos de gestão de documentos e às normas arquivísticas vigentes.

Sob a perspectiva da gestão pública, a experiência demonstra que a utilização responsável de IA pode ampliar a capacidade operacional do Estado diante de passivos documentais acumulados, especialmente em contextos de restrição de recursos humanos e financeiros.

A automatização da sugestão classificatória permite lidar com milhões de processos pendentes de tratamento arquivístico, reduzindo o esforço manual, promovendo padronização procedimental e fortalecendo a governança dos arquivos públicos. Do ponto de vista econômico e gerencial, o apoio automatizado à classificação possibilita identificar processos aptos ao descarte, à guarda intermediária ou à guarda permanente, contribuindo para a redução de despesas com armazenamento físico e guarda terceirizada, além de subsidiar decisões estratégicas sobre ocupação de espaços e planejamento da destinação final.

A experiência evidencia que a IA, quando implementada com supervisão humana, alinhamento normativo e integração sistêmica, constitui instrumento viável de modernização administrativa. Mais do que substituir atividades técnicas, a solução reforça a capacidade estatal de organizar informações, racionalizar custos e executar políticas públicas com maior previsibilidade, transparência e eficiência.

Eixo II – O reposicionamento estratégico da Gestão de Pessoas no setor público

Autores: Edna Maria da Cruz Barros, Giovanna Nogueira Machado Schffer, Isabella Soares Mayrink e Hugo Leonardo Souza Maciel.

A Gestão de Pessoas ocupa papel central nas organizações contemporâneas, tanto no setor público quanto no privado, deixando progressivamente de se restringir ao controle administrativo da vida funcional para assumir uma função estratégica, diretamente relacionada ao alcance dos objetivos organizacionais e à entrega de bens e serviços à sociedade.

Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar o processo de reposicionamento estratégico de uma unidade setorial de Recursos Humanos da administração pública estadual, estruturada no âmbito da Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), considerando a coexistência entre funções operacionais indispensáveis e a incorporação de frentes de atuação estratégica. Destacam-se, nesse processo, as ações voltadas à capacitação e ao desenvolvimento de servidores, à promoção da qualidade de vida e do bem-estar no trabalho, ao dimensionamento e à alocação da força de trabalho, bem como à avaliação de desempenho.

Trata-se de um estudo de natureza analítico-descritiva, fundamentado na análise da trajetória institucional da unidade, em documentos normativos e gerenciais e na observação sistematizada da prática administrativa. O objeto de estudo insere-se em um modelo descentralizado de gestão de pessoas, composto por uma unidade central responsável pela formulação de diretrizes e políticas e por unidades setoriais incumbidas da implementação das políticas institucionais.

A metodologia adotada dialoga com a abordagem de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO), compreendida como estratégia de gestão de pessoas orientada à valorização do capital humano, ao fortalecimento da cultura organizacional, ao desenvolvimento de competências, à gestão do desempenho e à tomada de decisão baseada em dados. Ao compartilhar uma experiência concreta, o artigo busca contribuir para o debate contemporâneo sobre a transformação das unidades de Recursos Humanos e o fortalecimento da capacidade institucional do Estado.

Eixo III – Inteligência de dados na ouvidoria pública

Autora: Alana Gabriela Soares de Lima.

O estudo analisa a implementação de um painel gerencial desenvolvido em ferramenta de Business Intelligence (BI) no âmbito de uma Ouvidoria pública estadual, com o objetivo de investigar sua contribuição para o fortalecimento do governo digital e da transparência administrativa. Parte-se do problema da fragmentação e da subutilização dos dados oriundos das manifestações cidadãs, frequentemente tratados de forma operacional e não estratégica.

Adota-se abordagem qualitativa, de natureza aplicada, com método de estudo de caso, examinando o processo de estruturação de indicadores, modelagem de dados e construção de dashboard interativo voltado ao monitoramento de prazos, tipologias de demandas, reincidências e níveis de satisfação. A aplicação do modelo em contexto real, com utilização de ferramenta Power BI e dados extraídos de sistema oficial de ouvidoria, permitiu a consolidação de informações anteriormente dispersas em relatórios estáticos, possibilitando visualização dinâmica e acompanhamento em tempo quase real.

Os resultados observados indicaram ampliação expressiva da capacidade de monitoramento gerencial, redução significativa do tempo médio de resposta, elevação dos índices de resolubilidade e satisfação cidadã, além de melhoria consistente no desempenho institucional em avaliação externa do sistema estadual de ouvidorias. Conclui-se que ferramentas de BI, quando integradas à governança organizacional, podem transformar canais de participação social em instrumentos estruturados de inteligência institucional, ampliando a maturidade digital, a transparência ativa e a capacidade decisória no setor público.

Eixo IV – Aprimoramento do modelo de carreiras no Poder Executivo de Minas Gerais

Autoras: Luciana Meireles Ribeiro, Gabriela Carneiro Lima e Luísa Werner de Oliveira Campos Guerra.

O presente artigo analisa o modelo de carreiras do Poder Executivo de Minas Gerais e apresenta a proposta de criação de carreiras administrativas de natureza transversal como alternativa para o aprimoramento da gestão de pessoas no âmbito estadual.

A pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter descritivo e analítico, com base em pesquisa bibliográfica, análise documental de legislação e atos normativos e exame de estudos e diagnósticos institucionais. O artigo demonstra que, apesar dos avanços promovidos pela reestruturação administrativa iniciada em 2003 no contexto do Choque de Gestão, o modelo vigente ainda apresenta lacunas estruturais no que diz respeito às funções administrativas de caráter transversal, o que resulta em fragmentação de competências, assimetrias de capacidade institucional e baixa mobilidade da força de trabalho.

A partir do benchmarking realizado com experiências do governo federal, de estados brasileiros e de países como Reino Unido e Portugal, são apresentados os fundamentos, o desenho e os princípios orientadores da proposta de criação das carreiras de Analista Executivo e Técnico Executivo, bem como os desafios para sua implementação e os impactos esperados na governança e na eficiência do Estado.

Conclui-se que as carreiras transversais representam não uma ruptura, mas uma etapa evolutiva do processo de modernização administrativa de Minas Gerais, alinhada a tendências nacionais e internacionais de superação de estruturas excessivamente fragmentadas.

Eixo V – Avaliação da eficiência em políticas socioeducativas por meio de indicadores de desempenho

Autores: Eudes de Oliveira Bomfim, Washington Luiz de Goes, José Vinícius Rodrigues Garção e Ednilson Silva Oliveira.

A eficiência administrativa nas políticas socioeducativas transcende a mera racionalização de insumos, exigindo uma abordagem capaz de mensurar a garantia de direitos e a produção de valor público. Este estudo analisa o desempenho institucional na execução de medidas socioeducativas sob uma perspectiva longitudinal, utilizando o colapso do sistema de Sergipe (2007-2013) como fase diagnóstica e teste de sensibilidade para a proposição de um Modelo Analítico Integrado.

A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem mista, estrutura indicadores multidimensionais nas dimensões estrutural, processual, de fluxo, governança e efetividade pós-medida. Os resultados revelam que a redução da superlotação e a melhoria da conformidade processual resultam do fortalecimento da governança e da capacidade estatal, demonstrando que a elevação do custo unitário por adolescente sinaliza o investimento na qualidade do atendimento e na dignidade humana, e não ineficiência técnica.

Conclui-se que o modelo proposto funciona como um roteiro prospectivo para a modernização da gestão nacional (Novo SIPIA/CNIUPS), subsidiando a transição para uma Governança da Era Digital (DEG) pautada na transparência e na sustentabilidade social da política.

Eixo VI – Centros administrativos como estratégia de governança patrimonial

Autores: Felipe Carvalho Guilhermette, Heloisa Meyer Toledo, Jéssika Di Paula Souza de Oliveira e Marta Cristina Guizelini.

É recorrente na gestão de ativos imobiliários públicos o desafio decorrente da dispersão territorial de unidades administrativas, exigindo monitoramento contínuo da eficácia de uso das edificações. Levantamentos realizados pela Administração identificaram a manutenção de múltiplos contratos de locação na capital do Estado com impacto orçamentário relevante, totalizando despesas mensais aproximadas de R$ 645 mil, além de dificuldades operacionais associadas à fragmentação das equipes.

Esse cenário evidencia a necessidade de formulação de estratégias institucionais voltadas à reorganização ocupacional, ao aprimoramento da governança patrimonial e à racionalização do uso de recursos públicos. O presente estudo tem por objetivo examinar os ganhos institucionais decorrentes da implantação de centro administrativo a partir de projeto piloto.

A metodologia adota abordagem qualitativa exploratória, combinando análise documental e estudo de caso do projeto piloto, por meio do exame dos fundamentos que orientaram a escolha da solução, dos impactos administrativos e financeiros e dos desafios institucionais relacionados à realocação e coordenação entre órgãos. Foram analisados critérios de definição de ocupantes, pesquisa de mercado imobiliário, comparação entre aquisição e locação e avaliação dos impactos associados às despesas operacionais prediais, considerando-se o processo decisório orientado por critérios de economicidade, eficiência administrativa e aderência às diretrizes governamentais.

Os resultados indicam redução estimada de custos mensais em aproximadamente R$ 53 mil, representando economia anual superior a R$ 640 mil e potencial acumulado de cerca de R$ 3,2 milhões em cinco anos. Observam-se ganhos indiretos associados à integração administrativa, simplificação da gestão contratual, melhoria do acesso do cidadão aos serviços públicos e efeitos urbanos positivos decorrentes da centralização territorial das atividades governamentais. Conclui-se que centros administrativos configuram instrumento relevante de gestão estratégica do patrimônio imobiliário, conciliando eficiência financeira, integração institucional e planejamento urbano, com potencial de replicação em outras iniciativas de reorganização ocupacional na administração pública.

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