Da formação jurídica à experiência no Executivo
A trajetória de Eduardo Salim Braide, governador eleito do Maranhão, reúne experiências no Legislativo e no Executivo, com passagem pela administração pública estadual, pela Câmara dos Deputados e pela Prefeitura de São Luís. Natural da capital maranhense, nascido em 12 de janeiro de 1976, é advogado formado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Sua carreira política foi construída a partir da atuação em instituições públicas e da disputa eleitoral, até alcançar o comando da administração municipal da capital.
Antes de conquistar seu primeiro mandato eletivo, Braide ocupou funções administrativas relevantes. Entre 2005 e 2006, presidiu a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), experiência que o aproximou de questões relacionadas à infraestrutura, ao abastecimento de água e à prestação de serviços essenciais. Posteriormente, entre 2009 e 2010, atuou como secretário municipal de Orçamento Participativo de São Luís, função ligada à relação entre planejamento orçamentário, prioridades da população e execução das políticas públicas.
Em 2010, foi eleito deputado estadual, iniciando uma trajetória parlamentar que se estendeu por dois mandatos consecutivos. Na Assembleia Legislativa do Maranhão, participou da vida política estadual antes de ampliar sua atuação para o cenário nacional. Em 2018, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, onde exerceu mandato até o início de 2021.
A experiência parlamentar foi seguida pela chegada ao Executivo municipal. Eleito prefeito de São Luís em 2020, Braide assumiu a prefeitura em janeiro de 2021 e foi reeleito em 2024, com 70,12% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A expressiva votação reforçou sua posição política na capital e consolidou sua trajetória como administrador municipal.
Em 4 de outubro de 2026, Braide foi eleito governador do Maranhão em primeiro turno, pelo Partido Social Democrático (PSD), com 54,02% dos votos válidos, equivalentes a 2.104.122 votos, conforme os resultados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral. A vitória o coloca diante de um desafio de outra dimensão: ampliar para os 217 municípios maranhenses a capacidade de articulação, planejamento e execução de políticas públicas desenvolvidas durante sua passagem pela capital.
A mudança de escala é significativa. Governar o estado exige coordenar políticas regionais, negociar com os municípios, administrar uma estrutura pública mais ampla e compatibilizar investimentos com as necessidades de uma população distribuída por territórios com diferentes condições econômicas e sociais. É nesse contexto que se insere o programa de governo apresentado por Braide para o período de 2027 a 2030.
Um programa estruturado em 55 propostas
O documento intitulado Programa de Governo 2027–2030 apresenta 55 propostas organizadas em áreas como combate à pobreza, saúde, educação, desenvolvimento econômico, infraestrutura, segurança pública, gestão administrativa, turismo, meio ambiente, regularização fundiária e habitação.
A orientação geral é combinar a ampliação dos serviços públicos com investimentos em infraestrutura, estímulo à atividade econômica e medidas voltadas à redução das desigualdades. O plano também destaca a cooperação entre o governo estadual, as prefeituras, o setor privado e organizações da sociedade civil.
Para a administração pública, o principal ponto de atenção será transformar as propostas em programas executáveis, com responsabilidades institucionais definidas, recursos disponíveis, metas mensuráveis e mecanismos de acompanhamento. Embora o documento estabeleça um conjunto amplo de compromissos, sua efetividade dependerá da capacidade de priorização e coordenação entre as diferentes pastas do governo.
Combate à pobreza e proteção social
O enfrentamento da pobreza aparece entre as prioridades do programa. A principal medida proposta é a criação de uma Força Estadual de Combate à Pobreza, com atuação intersetorial e articulação entre estado, municípios, terceiro setor e iniciativa privada. A iniciativa pretende integrar políticas de transferência de renda, educação, saúde, segurança alimentar, qualificação profissional e acesso a oportunidades.
O plano também prevê instituir o pagamento de uma parcela adicional, equivalente ao 13º benefício, para os participantes do programa Maranhão Livre da Fome. Outra frente consiste na ampliação e qualificação da rede de Restaurantes Populares, associada ao fortalecimento das compras de alimentos provenientes da agricultura familiar.
Na assistência social, a proposta contempla a implantação de Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) regionais, destinados a ampliar o atendimento a famílias e indivíduos em situação de violação de direitos. O documento inclui, ainda, o fortalecimento de políticas afirmativas para promover a igualdade racial, a equidade e o enfrentamento da discriminação e da violência.
Do ponto de vista da gestão, a integração dessas ações será decisiva. A combinação entre proteção social, acesso a serviços e oportunidades de inserção produtiva pode ampliar o alcance das políticas públicas, desde que haja articulação entre os órgãos responsáveis e acompanhamento dos resultados alcançados.
Saúde: regionalização e ampliação do atendimento
Na saúde, o programa propõe o Programa Hospital Novo, voltado à construção de hospitais regionais ou macrorregionais. A iniciativa pretende ampliar o acesso aos atendimentos de média e alta complexidade, reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes e fortalecer a rede pública nas diferentes regiões do estado.
O plano também prevê a implantação de Espaços TEA regionais, destinados ao atendimento especializado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista e outras condições relacionadas à neurodivergência, além do suporte às famílias.
Outra medida é a construção, em parceria com o Hospital Aldenora Bello e a Fundação Antônio Jorge Dino, de hospitais especializados e centros regionais de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. O documento acrescenta propostas para viabilizar o pagamento de gratificações aos agentes comunitários de saúde e aos agentes de combate às endemias, mediante simplificação dos critérios de cofinanciamento estadual aos municípios, e facilitar o acesso a medicamentos especializados fornecidos pelo governo estadual.
O conjunto de iniciativas aponta para a descentralização dos serviços e o fortalecimento da assistência regional. A execução, entretanto, exigirá planejamento da distribuição territorial das unidades, financiamento continuado, contratação de profissionais e integração com os demais níveis do Sistema Único de Saúde (SUS).
Educação: infraestrutura, aprendizagem e formação profissional
A educação ocupa espaço importante no programa, com propostas que abrangem desde a infraestrutura escolar até a formação de professores e a qualificação profissional dos jovens.
O Programa Escola Nova prevê a construção de escolas, quadras poliesportivas e a recuperação de unidades existentes, incluindo a climatização dos ambientes escolares. O plano também contempla a construção de creches em tempo integral, em parceria com os municípios, priorizando regiões com maior vulnerabilidade social e menor cobertura de atendimento.
Na aprendizagem, a proposta é instituir uma Política Estadual Permanente de Alfabetização, em colaboração com as redes municipais, com apoio técnico, formação, materiais pedagógicos e acompanhamento de resultados. O documento estabelece, ainda, a melhoria da aprendizagem na rede estadual e a elevação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como objetivo.
A valorização dos profissionais do magistério aparece associada à formação continuada, ao desenvolvimento profissional, ao reconhecimento da carreira e à melhoria das condições de trabalho. O programa prevê ampliar a educação em tempo integral e expandir a rede do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), com cursos técnicos integrados ao ensino médio e alinhados às vocações econômicas regionais.
O compromisso educacional inclui a atenção às comunidades indígenas, quilombolas e do campo, respeitando suas especificidades culturais e territoriais, além da ampliação da acessibilidade e do atendimento especializado a estudantes com deficiência. O documento também propõe modernizar a infraestrutura da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), fortalecer laboratórios e pesquisa aplicada e ampliar a formação em áreas estratégicas.
Para a gestão estadual, o desafio será integrar obras, formação docente, políticas de alfabetização e acompanhamento da aprendizagem. A combinação dessas frentes poderá contribuir para reduzir desigualdades educacionais entre municípios, desde que os investimentos físicos sejam acompanhados de ações pedagógicas permanentes.
Desenvolvimento econômico, emprego e renda
O eixo econômico busca estimular a produção, ampliar o acesso ao crédito, atrair investimentos e fortalecer as atividades produtivas já presentes no Maranhão.
Entre as propostas estão a ampliação da assistência técnica e da extensão rural aos agricultores familiares, por meio da reestruturação da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão (AGERP) e da articulação com instituições parceiras. O programa também prevê apoiar o acesso a linhas de crédito para produtores rurais, agricultores familiares, empreendedores, comerciantes e micro e pequenas empresas.
A industrialização e a agregação de valor aos produtos agropecuários maranhenses aparecem como caminhos para fortalecer cadeias produtivas como as do couro, milho e soja, além dos produtos da agricultura familiar. O plano dedica atenção específica à cadeia do babaçu, com a valorização das mulheres quebradeiras de coco, ampliação do beneficiamento, industrialização e acesso a mercados.
A atração de empresas e novos investimentos é outra prioridade, associada à geração de empregos. Para impulsionar o desenvolvimento dos municípios, o documento propõe o Programa OportuCidades, destinado a valorizar as vocações econômicas, turísticas, culturais e produtivas de cada localidade.
A proposta sugere uma estratégia que combina dinamização da economia e valorização das potencialidades regionais. Sua implementação dependerá, entre outros fatores, da articulação entre infraestrutura, qualificação profissional, crédito e ambiente de negócios. A descentralização das oportunidades também será importante para evitar que os investimentos se concentrem apenas nos principais centros urbanos.
Infraestrutura, saneamento e integração territorial
A infraestrutura é tratada como condição para a mobilidade, a integração dos municípios e o desenvolvimento econômico. O Programa de Apoio às Prefeituras (PAP) pretende fortalecer a cooperação entre estado e municípios na execução de obras, serviços e investimentos considerados prioritários pelas cidades.
No sistema rodoviário, o Programa Estrada Nova prevê reconstruir rodovias estaduais e construir novas estradas, com o objetivo de melhorar a mobilidade, reduzir o tempo de deslocamento e conectar os municípios. O plano também propõe atuação junto ao governo federal para acelerar a recuperação e a manutenção das rodovias federais que atravessam o estado.
Complementam esse conjunto o Programa Asfalto Novo, voltado à pavimentação nos municípios, e o Programa Trânsito Livre, concebido em parceria com as administrações municipais para melhorar a circulação urbana. O documento inclui a construção de anéis rodoviários para desviar o tráfego de cargas pesadas das áreas urbanas, a retomada de obras paralisadas e inacabadas e a ampliação e modernização de pontes.
Na área de saneamento, a proposta é ampliar o abastecimento de água tratada e a coleta e o tratamento de esgoto, priorizando regiões com menor cobertura. O programa também prevê modernizar espaços esportivos em diferentes partes do Maranhão.
A agenda reúne intervenções de impacto direto na vida cotidiana e na atividade econômica. Para assegurar resultados, será necessário estabelecer critérios transparentes de priorização das obras, avaliar custos de manutenção e garantir a continuidade dos investimentos. No saneamento, em particular, a coordenação entre estado, municípios e prestadores de serviços será fundamental para ampliar a cobertura e melhorar a qualidade do atendimento.
Segurança pública e proteção às mulheres
Na segurança pública, Braide propõe implantar uma Muralha Digital em diferentes regiões do estado, com câmeras de reconhecimento facial e integração das forças de segurança. Segundo o plano, o sistema deverá contribuir para a prevenção e o combate à criminalidade, além de auxiliar na localização de pessoas desaparecidas e veículos furtados.
O documento prevê ampliar o efetivo das forças de segurança, modernizar viaturas e equipamentos e fortalecer as condições de trabalho dos profissionais. Também propõe apoiar as guardas municipais por meio de capacitação, orientação técnica e integração com as forças estaduais.
A proteção às mulheres em situação de violência integra o mesmo eixo, com a ampliação da rede de atendimento por meio de novas Casas da Mulher Maranhense e da expansão da Patrulha Maria da Penha para diferentes regiões.
A implementação dessas medidas exigirá investimentos em pessoal, equipamentos, infraestrutura e capacitação. No caso das tecnologias de vigilância, será igualmente importante estabelecer protocolos de uso, controles de acesso e mecanismos de proteção de dados, assegurando que a modernização dos instrumentos de segurança esteja acompanhada de responsabilidade institucional e respeito aos direitos individuais.
Gestão eficiente, controle e valorização do serviço público
A proposta administrativa prevê uma gestão técnica, orientada por diagnóstico, planejamento, metas e resultados. O documento estabelece que os secretários estaduais deverão trabalhar com objetivos definidos, priorizando agilidade e qualidade na execução de obras e serviços públicos.
Entre os compromissos estão a redução do ICMS estadual, a realização de concursos públicos e a garantia de reajuste anual para o funcionalismo. O plano também prevê fortalecer os mecanismos de prevenção, fiscalização e combate à corrupção, com ampliação da transparência e aperfeiçoamento do controle sobre os recursos públicos.
Esse eixo é particularmente relevante para a execução das demais propostas. A implantação de sistemas de acompanhamento, a definição de indicadores e a divulgação periódica dos resultados podem permitir que a sociedade avalie o cumprimento dos compromissos assumidos.
A redução do ICMS, por sua vez, exigirá análise dos efeitos sobre a arrecadação e o equilíbrio fiscal. A decisão deverá ser compatibilizada com as despesas necessárias à expansão dos serviços públicos e à execução dos investimentos previstos. Da mesma forma, concursos, reajustes e ampliação da estrutura administrativa demandarão planejamento orçamentário e avaliação das necessidades de pessoal.
A capacidade de conciliar compromissos políticos, sustentabilidade fiscal e qualidade dos serviços será um dos principais testes da administração estadual.
Turismo, cultura e patrimônio
O programa também reconhece o potencial do turismo e da cultura como fontes de renda e desenvolvimento regional. A proposta é estruturar e promover novos destinos turísticos, fortalecer os já existentes, melhorar a infraestrutura local e qualificar os serviços oferecidos aos visitantes.
Na área cultural, o plano contempla a recuperação e a valorização do patrimônio histórico, com o objetivo de ampliar sua preservação e integração às atividades culturais e turísticas. Também prevê apoiar manifestações populares, festas tradicionais, artistas, grupos culturais e trabalhadores da economia criativa.
A execução dessas medidas pode contribuir para ampliar a circulação de visitantes, movimentar pequenos negócios e gerar oportunidades de trabalho. Para isso, a política estadual precisará considerar as características de cada território e articular promoção turística, preservação patrimonial e qualificação dos serviços.
Meio ambiente, mudanças climáticas e proteção animal
Na agenda ambiental, o documento prevê revisar e atualizar o Plano Estadual de Mudanças Climáticas e a política estadual correspondente, alinhando as diretrizes ao Plano Nacional sobre Mudança do Clima e estabelecendo prioridades de execução.
Outra medida é criar uma Agência Estadual de Proteção Animal, com atuação na fiscalização de maus-tratos, no resgate e atendimento de animais abandonados e na responsabilização por condutas previstas em lei. O plano também propõe modernizar e simplificar os procedimentos de licenciamento ambiental e autorizações estaduais, reduzindo a burocracia e os prazos sem comprometer a proteção do meio ambiente.
O fortalecimento de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis completa esse eixo. A proposta relaciona a agenda ambiental à geração de oportunidades e ao aproveitamento econômico de materiais recicláveis.
O desafio administrativo será conciliar a agilidade dos processos de licenciamento com a análise técnica necessária à prevenção de danos ambientais. A revisão das políticas climáticas também exigirá coordenação entre órgãos estaduais, municípios e demais instituições envolvidas, além de mecanismos para acompanhar a execução das medidas definidas.
Regularização fundiária e habitação
O programa encerra seu conjunto de propostas com medidas voltadas à regularização fundiária e à ampliação do acesso à moradia. A intenção é ampliar a regularização de imóveis no Maranhão, garantindo segurança jurídica da posse e o direito à propriedade para as famílias.
Na habitação, a proposta é ampliar o acesso à moradia digna para famílias de baixa renda, em articulação com o governo federal e as prefeituras. A execução dependerá da disponibilidade de terrenos, da capacidade de financiamento, da regularização dos imóveis e da integração com serviços públicos e infraestrutura urbana.
Essas medidas têm potencial para produzir efeitos que ultrapassam a questão habitacional, ao contribuir para a segurança jurídica das famílias e para o planejamento do crescimento das cidades.
O desafio de transformar propostas em resultados
O programa de governo de Eduardo Braide apresenta uma agenda abrangente, com 55 compromissos distribuídos por áreas estratégicas da administração estadual. Combate à pobreza, regionalização da saúde, melhoria da educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e gestão orientada por metas formam os principais pilares do documento.
A experiência acumulada por Braide na administração pública, no Legislativo e à frente da Prefeitura de São Luís constitui parte de sua trajetória para assumir o governo estadual. Entretanto, a gestão de um estado com 217 municípios exigirá ampliar a capacidade de coordenação institucional, estabelecer prioridades e adaptar políticas às diferentes realidades regionais.
O êxito da proposta dependerá menos da quantidade de iniciativas anunciadas do que da capacidade de executá-las com planejamento, transparência e continuidade. Para isso, serão essenciais metas verificáveis, indicadores públicos, controle dos gastos e mecanismos de avaliação que permitam identificar avanços e corrigir problemas ao longo do mandato.
A transição da experiência municipal para a administração estadual representa, assim, o principal teste político e gerencial do governador eleito. A implementação das 55 propostas será a medida concreta para avaliar se os compromissos apresentados se converterão em melhorias sustentáveis nos serviços públicos e nas condições de vida da população maranhense.
Fontes de pesquisa
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Câmara dos Deputados
Agência Brasil
Programa de Governo de Eduardo Braide — Maranhão, 2027–2030

