Da gestão empresarial ao comando do Estado
A trajetória de Eduardo Corrêa Riedel combina experiência empresarial, representação do agronegócio e atuação em áreas estratégicas da administração pública. Nascido no Rio de Janeiro, construiu em Mato Grosso do Sul parte importante de sua carreira profissional, com participação em organizações ligadas à produção agropecuária antes de ingressar diretamente na estrutura do governo estadual.
Sua atuação no setor produtivo ganhou projeção com a presidência da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), entre 2012 e 2014. A função ampliou sua interlocução com produtores rurais, entidades empresariais e representantes de diferentes segmentos da economia. Posteriormente, sua participação na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reforçou a experiência de articulação institucional em âmbito nacional.
A passagem para a administração pública ocorreu em 2015, quando assumiu a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul. Permaneceu na função até 2021, participando da coordenação governamental e do planejamento de políticas públicas. Em seguida, passou a comandar a Secretaria de Estado de Infraestrutura, área diretamente relacionada à logística, às obras públicas e à integração territorial.
Essa experiência antecedeu sua primeira eleição para o governo estadual, em 2022. À frente do Executivo, Riedel passou a responder pela articulação entre desenvolvimento econômico, equilíbrio fiscal, infraestrutura e prestação de serviços públicos. A gestão também incorporou a transformação digital como instrumento para ampliar o acesso aos serviços e melhorar a capacidade de resposta do Estado.
A reeleição em 2026, conforme o resultado eleitoral oficial, abriu caminho para a continuidade do projeto administrativo por mais quatro anos. O novo mandato, de 2027 a 2030, terá como principal desafio consolidar as políticas em andamento e demonstrar que o crescimento econômico pode produzir resultados mais abrangentes em educação, saúde, segurança, habitação e inclusão social.
O perfil de Riedel ajuda a compreender a orientação de sua proposta: um Estado que atua como articulador do desenvolvimento, parceiro do setor produtivo e responsável por garantir que a expansão econômica se traduza em oportunidades para a população. O plano, entretanto, amplia essa perspectiva ao reconhecer que o desempenho da administração também depende de políticas sociais integradas, sustentabilidade ambiental e instituições capazes de entregar resultados mensuráveis.
Quatro dimensões para orientar o próximo ciclo
O plano de governo para 2027–2030 organiza os compromissos em quatro dimensões estratégicas: pessoas, proteção social e desenvolvimento humano; desenvolvimento econômico e competitividade; infraestrutura, território e sustentabilidade; e governança e modernização do Estado.
A proposta tem como síntese o lema “Crescer, Incluir e Transformar”. A ideia é integrar as diferentes políticas públicas, relacionando o desempenho da economia à redução das desigualdades, à preservação ambiental e à melhoria dos serviços oferecidos à sociedade.
Mais do que uma lista de iniciativas setoriais, o documento procura estabelecer uma agenda de continuidade administrativa com novas metas e compromissos. O desafio será transformar essas diretrizes em programas com recursos assegurados, responsabilidades definidas, cronogramas e indicadores de desempenho.
Pessoas, proteção social e desenvolvimento humano
A primeira dimensão coloca a população no centro da estratégia governamental. Saúde, educação, assistência social, cultura, habitação, esporte e segurança pública aparecem como áreas que devem atuar de maneira articulada, com atenção especial à prevenção das vulnerabilidades e à ampliação das oportunidades.
Na educação, o plano prevê avançar na aprendizagem desde os primeiros anos escolares, ampliar a cooperação com os municípios e preparar crianças e jovens para uma economia cada vez mais tecnológica. A qualificação profissional também deverá se aproximar das necessidades do mercado de trabalho, favorecendo a inserção produtiva e a geração de renda.
Na saúde, a proposta busca consolidar uma rede regionalizada e integrada, apoiada por soluções digitais. O objetivo é ampliar o acesso ao atendimento e melhorar a coordenação entre os serviços, reduzindo as dificuldades enfrentadas por moradores de regiões distantes dos principais centros urbanos.
A assistência social aparece associada à superação de vulnerabilidades e à construção de trajetórias de autonomia. A diretriz é integrar a proteção social às políticas de educação, trabalho e desenvolvimento econômico, para que o apoio às famílias não se restrinja ao atendimento imediato, mas também favoreça a inclusão produtiva.
A segurança pública, por sua vez, deverá combinar inteligência, integração institucional, prevenção e proteção das pessoas. A proposta reconhece que a segurança não depende exclusivamente da atividade policial, exigindo também cooperação entre órgãos públicos e políticas voltadas à juventude e à redução de fatores associados à violência.
O plano inclui ainda a ampliação do acesso à cultura e ao esporte. Entre as iniciativas estão o fortalecimento dos programas Bolsa Atleta e Bolsa Técnico, a interiorização das políticas esportivas e a integração dessas atividades às ações de educação, saúde e assistência social.
Para a gestão pública, a principal questão será assegurar que a articulação entre essas áreas produza resultados verificáveis. Indicadores de aprendizagem, acesso aos serviços de saúde, inclusão produtiva e redução das vulnerabilidades serão essenciais para avaliar a efetividade das medidas.
Competitividade, inovação e geração de renda
A segunda dimensão estratégica concentra-se no desenvolvimento econômico. O plano busca fortalecer a competitividade de Mato Grosso do Sul, ampliar a diversificação produtiva e criar condições para que o crescimento resulte em mais empregos, renda e oportunidades em todas as regiões.
O estado possui uma base econômica apoiada na agropecuária e na produção de alimentos, mas também vem ampliando sua participação em segmentos industriais, como celulose, bioenergia e agroindustrialização. A proposta de Riedel pretende aprofundar esse processo, estimulando investimentos, inovação e agregação de valor à produção.
Uma das frentes mais relevantes é a política de ciência, tecnologia e inovação. O documento prevê implementar a nova política estadual para o setor, fortalecer os ecossistemas regionais de inovação, ampliar o apoio à pesquisa aplicada e aproximar universidades, centros de pesquisa e empresas.
Entre os compromissos está a atração de pelo menos dois novos centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação até 2030. O plano também propõe estimular a adoção de inteligência artificial e tecnologias emergentes nos setores produtivos, além de ampliar bolsas e programas de apoio à pesquisa.
A agenda de inovação tem potencial para diversificar a economia e elevar a produtividade, mas sua efetividade dependerá da capacidade de transformar pesquisa em soluções aplicáveis, fortalecer instituições científicas e ampliar a participação de empresas de diferentes portes.
No mercado de trabalho, o documento destaca a necessidade de aproximar a formação profissional das demandas dos setores econômicos. O objetivo é reduzir lacunas de qualificação, ampliar a empregabilidade e favorecer o aumento da renda, conectando educação, assistência social e desenvolvimento econômico.
A política de competitividade também envolve o ambiente tributário e regulatório. A proposta procura preservar condições favoráveis aos investimentos e à produção, considerando os efeitos da tributação sobre empresas e consumidores. Essa agenda exigirá atenção à sustentabilidade fiscal e à transição para o novo sistema tributário nacional.
O desafio será combinar atração de grandes empreendimentos com oportunidades para pequenos negócios, agricultura familiar e empresas locais, de modo que a diversificação econômica produza efeitos em diferentes municípios e segmentos da população.
Infraestrutura, território e desenvolvimento sustentável
A terceira dimensão reúne logística, desenvolvimento urbano, habitação, saneamento e preservação ambiental. A orientação é tratar o território como uma base estratégica para a expansão econômica e a melhoria da qualidade de vida.
Na infraestrutura rodoviária, o plano estabelece uma meta objetiva: ampliar a malha pavimentada estadual para 6.660 quilômetros até 2030. O documento registra que, em 2023, a extensão era de 5.131 quilômetros e apresenta a ampliação da pavimentação como parte de uma estratégia para melhorar a integração regional e reduzir custos logísticos.
A proposta também contempla a infraestrutura aeroviária. O plano estadual do setor reúne obras e serviços voltados à conectividade regional, ao turismo e à atração de investimentos. A continuidade desses projetos poderá ampliar o acesso a diferentes regiões e apoiar atividades econômicas que dependem de melhores conexões.
A habitação constitui outra frente importante. O documento prevê ampliar a oferta de moradias, fortalecer o programa Bônus Moradia e desenvolver o novo programa MS Moradia, direcionado à população de baixa renda. Também propõe avançar na regularização fundiária e integrar a política habitacional ao planejamento urbano e à expansão da infraestrutura municipal.
O saneamento básico deverá continuar entre as prioridades. Segundo o balanço apresentado no próprio plano, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto passou de 56% em 2021 para 77% em maio de 2026. A continuidade da expansão será fundamental para aproximar o estado da universalização, com reflexos sobre saúde pública, proteção dos recursos hídricos e qualidade ambiental.
Na dimensão ambiental, o compromisso mais abrangente é alcançar e demonstrar a condição de Estado Carbono Neutro até 2030. Para isso, o plano prevê ampliar o uso de energias renováveis, fortalecer a infraestrutura de gás, incentivar cadeias de biometano, hidrogênio de baixo carbono e combustíveis sustentáveis, além de estimular projetos de eficiência energética e adaptação às mudanças climáticas.
A agenda também envolve a valorização dos ativos ambientais, a conservação da vegetação nativa e o desenvolvimento de mecanismos capazes de associar preservação e geração de renda. Em um estado que abriga áreas dos biomas Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, a conciliação entre produção e conservação é uma questão econômica e institucional.
A neutralidade de carbono, contudo, exige mais do que iniciativas isoladas. Será necessário contar com inventários de emissões, critérios transparentes de contabilização, mecanismos de acompanhamento e divulgação periódica dos resultados. A credibilidade da meta dependerá da possibilidade de verificar a redução das emissões e a contribuição efetiva das medidas adotadas.
Governança e modernização do Estado
A quarta dimensão estratégica trata da capacidade administrativa necessária para executar as demais políticas. O plano prevê fortalecer a gestão fiscal, aprimorar o controle das despesas, ampliar a transparência e consolidar um modelo de administração orientado por resultados.
A transformação digital aparece como instrumento central dessa agenda. O documento registra a disponibilização de mais de 700 serviços públicos digitais e a presença de infraestrutura de fibra óptica nos municípios sul-mato-grossenses. Para o próximo ciclo, a intenção é ampliar a conectividade, integrar sistemas e reduzir desigualdades no acesso aos serviços.
A digitalização pode simplificar procedimentos, reduzir deslocamentos e tornar o atendimento mais ágil. Para alcançar esses resultados, porém, será necessário garantir segurança da informação, proteção de dados, acessibilidade e alternativas para cidadãos que enfrentam dificuldades no uso de plataformas digitais.
No campo fiscal, o plano propõe aperfeiçoar a previsão orçamentária, aprimorar o controle de custos e ampliar a utilização de análises de custo-benefício na seleção de investimentos. Também prevê fortalecer o monitoramento da execução orçamentária e das metas de cada programa.
Essas medidas são relevantes para assegurar que o equilíbrio das contas públicas se converta em capacidade de investimento e qualidade do gasto. A avaliação de uma política deverá considerar não apenas quanto foi gasto, mas também quais serviços foram entregues e quais mudanças foram produzidas na vida da população.
A agenda de governança inclui ainda o fortalecimento da integridade pública, a prevenção de fraudes, a gestão de riscos e a ampliação da transparência ativa. O documento propõe modernizar os mecanismos de controle interno, estimular a participação social e consolidar uma cultura institucional baseada em ética e prestação de contas.
A valorização dos servidores também integra a proposta. Entre as medidas previstas estão programas permanentes de capacitação, desenvolvimento de lideranças, gestão por competências e mecanismos de avaliação de desempenho. A intenção é preparar a administração para responder às demandas de um Estado mais digital, integrado e orientado ao cidadão.
O desafio de transformar compromissos em resultados
A proposta de Riedel combina continuidade administrativa com metas de modernização econômica, social e ambiental. A experiência acumulada pelo governo e a estrutura de planejamento apresentada no documento oferecem uma base para a execução das políticas, mas não eliminam os desafios de financiamento, coordenação e avaliação.
Quatro questões serão especialmente importantes no próximo mandato.
A primeira é garantir que o crescimento econômico produza benefícios sociais mais amplos. O desempenho da agropecuária, da indústria e das exportações precisa ser acompanhado por avanços em educação, saúde, renda e inclusão produtiva.
A segunda é assegurar que as metas de infraestrutura sejam cumpridas dentro dos prazos e dos recursos disponíveis. Obras rodoviárias, projetos habitacionais e investimentos em saneamento exigem acompanhamento físico-financeiro, transparência e avaliação dos benefícios esperados.
A terceira é demonstrar que o compromisso ambiental pode ser medido e verificado. A meta de neutralidade de carbono até 2030 exigirá coordenação entre governo, setor produtivo, instituições científicas e sociedade, além de critérios públicos para monitorar o progresso.
A quarta é consolidar uma administração capaz de avaliar continuamente suas próprias políticas. Indicadores, metas, controle de custos e prestação de contas precisam orientar decisões e permitir correções durante a execução dos programas.
A cooperação com os municípios será decisiva para todas essas frentes. A implementação de políticas de saúde, educação, habitação e saneamento depende, em diferentes graus, da coordenação entre os níveis de governo e da capacidade de adaptar as iniciativas às realidades locais.
Uma agenda de continuidade sob avaliação
O plano de governo de Eduardo Riedel para 2027–2030 apresenta uma visão de desenvolvimento que procura integrar competitividade econômica, inclusão social, sustentabilidade e eficiência administrativa. A proposta reconhece que a expansão produtiva, embora importante para a geração de riqueza, precisa estar acompanhada de serviços públicos de qualidade e de oportunidades distribuídas pelo território.
A trajetória do governador, marcada pela atuação empresarial e pela experiência em áreas estratégicas do Executivo, ajuda a explicar a ênfase em planejamento, investimentos e modernização da máquina pública. O novo mandato, entretanto, será avaliado pela capacidade de transformar essa orientação em entregas concretas.
Para os gestores públicos, a agenda oferece uma referência importante sobre a necessidade de integrar planejamento, orçamento, execução e avaliação. Metas como a ampliação da malha rodoviária, a atração de centros de pesquisa e a neutralidade de carbono estabelecem compromissos que poderão ser acompanhados ao longo do período.
O principal teste será demonstrar que a continuidade administrativa pode produzir avanços mensuráveis, corrigir limitações identificadas na gestão anterior e ampliar os benefícios do desenvolvimento para diferentes grupos sociais e regiões do estado.
Em última análise, o êxito do próximo governo dependerá da capacidade de fazer com que crescer, incluir e transformar deixem de ser apenas diretrizes de planejamento e se consolidem como resultados percebidos pela população de Mato Grosso do Sul.
Fontes de pesquisa
- Plano de Governo de Eduardo Riedel — Mato Grosso do Sul, 2027–2030.
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica; Secretaria de Estado de Infraestrutura
- Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul)
- Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

