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Elmano de Freitas: continuidade administrativa, inclusão social e desenvolvimento sustentável no Ceará

Nascido em 12 de abril de 1970, em Baturité (CE), Elmano de Freitas da Costa construiu sua trajetória política a partir do Direito, dos movimentos sociais e da administração pública. Filho do agricultor Francisco Feitosa da Costa e da professora Elma de Freitas da Costa, formou-se em Direito pela UFC e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1989.

Elmano de Freitas: continuidade administrativa, inclusão social e desenvolvimento sustentável no Ceará

Sua atuação pública começou vinculada às Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, onde participou de iniciativas sociais e comunitárias. Posteriormente, trabalhou como advogado na defesa de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais, incluindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Essa experiência contribuiu para aproximá-lo de temas como direitos sociais, organização popular, acesso à Justiça e políticas públicas voltadas às populações em situação de vulnerabilidade.

A entrada de Elmano na administração pública ocorreu em Fortaleza, onde exerceu as funções de secretário municipal da Educação e coordenador do Orçamento Participativo durante a gestão da então prefeita Luizianne Lins. Na área educacional, teve contato com os desafios da gestão da rede pública, da organização dos serviços e da articulação entre políticas sociais e administração municipal.

Em 2012, disputou a Prefeitura de Fortaleza, chegando ao segundo turno. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual, renovando o mandato em 2018. Na Assembleia Legislativa do Ceará, participou da atividade parlamentar e da formulação de iniciativas relacionadas ao desenvolvimento estadual.

Em 2022, Elmano foi eleito governador do Ceará no primeiro turno, assumindo o Executivo estadual em janeiro de 2023. À frente do governo, sua administração passou a enfatizar a continuidade de políticas públicas nas áreas de educação, proteção social, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico, combinando investimentos públicos e cooperação com os municípios.

Em 4 de outubro de 2026, foi reeleito governador no primeiro turno, com 53,19% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado assegurou a continuidade de sua gestão para o período de 2027 a 2030.

A experiência acumulada nos movimentos sociais, na advocacia, na administração municipal, no Legislativo e no Executivo estadual constitui o eixo de sua trajetória pública. Para o próximo mandato, o desafio será converter a continuidade administrativa em avanços mensuráveis na qualidade dos serviços públicos, na redução das desigualdades territoriais e na capacidade do Estado de responder às transformações econômicas, sociais, ambientais e tecnológicas.

Plano de governo 2027–2030: os principais eixos estratégicos

O documento Ceará Forte, Resiliente, Inclusivo e Inovador, apresentado como referência para a elaboração participativa da versão final do Plano de Governo 2027–2030, organiza as propostas em sete grandes objetivos de desenvolvimento. A estratégia busca integrar crescimento econômico, proteção social, sustentabilidade ambiental, modernização administrativa e inovação tecnológica.

A proposta não se limita apenas à ampliação de programas existentes. Também prevê mudanças nos instrumentos de planejamento, na cooperação entre Estado e municípios e na articulação entre políticas públicas, com o propósito de reduzir desigualdades e ampliar a capacidade de resposta do poder público.

1. Gestão pública, inovação e cooperação com os municípios

A modernização administrativa ocupa posição central na proposta. O plano prevê fortalecer a gestão orientada por resultados, ampliar a transformação digital e aperfeiçoar os mecanismos de transparência e participação social.

Entre as medidas estão a expansão dos programas Ceará Um Só e Ceará Mais Digital, o compartilhamento de soluções tecnológicas com as prefeituras, a integração de cadastros imobiliários públicos e o fortalecimento do planejamento regional.

O documento também propõe criar um programa de reconhecimento de boas práticas de gestão municipal e estruturar o Distrito de Inteligência Artificial do Ceará, reunindo governo, universidades, centros de pesquisa, empresas e startups.

Para a administração pública, o objetivo é ampliar a capacidade técnica dos municípios, melhorar a coordenação entre os diferentes níveis de governo e utilizar dados e tecnologia para qualificar a formulação, a execução e a avaliação das políticas públicas.

2. Proteção social, combate à fome e políticas de cuidado

A política social constitui um dos principais pilares do programa. A proposta prevê consolidar uma rede de proteção capaz de combinar atendimento imediato às famílias vulneráveis com oportunidades de qualificação profissional, geração de renda e autonomia econômica.

Um dos destaques é a consolidação do Ceará Sem Fome 2.0 como política permanente de Estado. O plano propõe integrar segurança alimentar, agricultura familiar, compras públicas, saúde, assistência social e inclusão produtiva, além de criar mecanismos de monitoramento da insegurança alimentar.

Outra iniciativa é o Plano Estadual de Cuidados “Ceará que Cuida”, voltado à integração dos serviços destinados a crianças, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas neurodivergentes e indivíduos que necessitam de cuidados continuados. A proposta também busca reduzir a sobrecarga das famílias, especialmente das mulheres responsáveis pelo trabalho de cuidado.

O documento prevê, ainda, fortalecer o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), ampliar o apoio aos municípios, consolidar o programa Ceará por Elas e expandir as políticas destinadas à primeira infância e às juventudes.

A diretriz é aproximar a proteção social das políticas de educação, saúde, habitação, trabalho e desenvolvimento territorial, de modo a enfrentar vulnerabilidades de maneira integrada.

3. Segurança pública e prevenção das violências

O plano trata a segurança pública como uma política que deve combinar atuação policial, inteligência, investigação e prevenção social. A proposta prevê modernizar as instituições de segurança, valorizar os profissionais, ampliar o uso de tecnologia e fortalecer a cooperação entre o Estado, os municípios e o sistema de Justiça.

O enfrentamento às organizações criminosas aparece associado à investigação qualificada e à gestão baseada em evidências. O documento também destaca a necessidade de responder a modalidades de criminalidade relacionadas ao ambiente digital e às economias ilegais.

Na prevenção, a estratégia prevê integrar segurança pública, educação, cultura, esporte, saúde e assistência social, com atenção especial aos territórios mais vulneráveis. Entre as iniciativas estão o fortalecimento do programa Zona Viva, a implantação do Pacto Cearense pela Vida das Juventudes e a ampliação dos Centros Comunitários pela Vida (Convive).

O sistema prisional e a reinserção social também integram a agenda. O desafio administrativo será articular as ações de prevenção, repressão qualificada e inclusão social, acompanhando os resultados das políticas e sua distribuição entre as diferentes regiões do estado.

4. Desenvolvimento econômico, emprego e diversificação produtiva

O desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo é outro eixo estruturante. A proposta busca fortalecer setores tradicionais da economia cearense e, simultaneamente, estimular novas atividades capazes de ampliar a competitividade, gerar empregos e diversificar as fontes de renda.

Na agricultura, na pecuária, na pesca e na aquicultura, o plano prevê fortalecer a agricultura familiar, a agroecologia, a agroindústria e as cadeias produtivas regionais. A intenção é aproximar produção, comercialização, inovação e segurança alimentar.

No setor industrial, a estratégia contempla a atração de investimentos, o fortalecimento dos polos econômicos e o desenvolvimento de cadeias produtivas estratégicas. O Complexo Industrial e Portuário do Pecém ocupa posição relevante nessa perspectiva, especialmente pela articulação entre logística, indústria, comércio exterior e transição energética.

O documento também destaca turismo, comércio, serviços, logística, empreendedorismo, economia criativa, economia solidária e economia do cuidado. A proposta é ampliar as oportunidades de trabalho e renda e distribuir os benefícios do crescimento entre diferentes regiões do Ceará.

A execução dessa agenda dependerá da capacidade de transformar investimentos e incentivos em empregos, ampliar a qualificação profissional e fortalecer empresas locais, especialmente os pequenos negócios e os empreendimentos vinculados às economias regionais.

5. Transição energética, economia verde e inovação tecnológica

O plano busca posicionar o Ceará na economia de baixo carbono, aproveitando o potencial estadual em energias renováveis e sua infraestrutura de conectividade. A transição energética é apresentada como oportunidade de desenvolvimento industrial, atração de investimentos e inserção em mercados nacionais e internacionais.

Entre as prioridades estão o fortalecimento das energias renováveis, o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio verde, o estímulo à inovação e a ampliação da economia do conhecimento.

A proposta também contempla a economia azul sustentável, relacionada às atividades econômicas vinculadas aos ambientes costeiros e marinhos, e a bioeconomia, que busca conciliar a utilização sustentável dos recursos naturais com a geração de valor econômico.

A diversificação produtiva deverá caminhar junto à formação de profissionais, à pesquisa científica e à aproximação entre universidades, empresas e governo. Nesse contexto, a infraestrutura digital e o projeto de criação do Distrito de Inteligência Artificial são apresentados como instrumentos para ampliar a competitividade e modernizar os serviços públicos.

6. Resiliência ambiental, segurança hídrica e desenvolvimento territorial

As características climáticas do Ceará tornam a segurança hídrica e a adaptação às mudanças climáticas componentes essenciais da estratégia de desenvolvimento. O documento prevê ampliar a capacidade de preparação e resposta a eventos extremos, proteger ecossistemas e fortalecer a infraestrutura necessária à convivência com o semiárido.

A proposta inclui a continuidade de investimentos em sistemas de abastecimento e distribuição de água, como o Cinturão das Águas, o Eixão das Águas e o projeto Malha-D’Água, além do fortalecimento do saneamento ambiental.

No campo territorial, o plano prevê políticas de habitação, regularização fundiária, mobilidade, acessibilidade, transporte público e desenvolvimento urbano sustentável. A cooperação entre Estado e municípios deverá contribuir para melhorar o planejamento das cidades e ampliar a capacidade de adaptação a riscos climáticos.

A preservação da biodiversidade, a gestão dos ecossistemas costeiros e marinhos e a proteção do patrimônio natural também integram a agenda. A orientação geral é compatibilizar o crescimento econômico com a conservação ambiental e a redução das vulnerabilidades sociais.

7. Saúde, bem-estar e envelhecimento saudável

Na saúde, a proposta prevê fortalecer a rede regionalizada de atendimento, ampliar a atenção primária e especializada e melhorar a integração entre os serviços estaduais e municipais.

A redução das filas de atendimento, a expansão da capacidade assistencial e a incorporação de tecnologias à gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) estão entre as prioridades. O documento também destaca a inovação em saúde e o fortalecimento das ações de prevenção.

A agenda é ampliada para incluir segurança alimentar e nutricional, esporte, segurança viária e promoção do bem-estar. O envelhecimento saudável aparece como área específica de atenção, com previsão de fortalecer a rede de cuidados e ampliar a autonomia e a participação social das pessoas idosas.

O principal desafio será assegurar que a ampliação da infraestrutura e dos serviços se traduza em acesso oportuno, qualidade assistencial e redução das diferenças de atendimento entre a Região Metropolitana de Fortaleza e o interior.

8. Educação, cultura, ciência e formação profissional

A educação permanece como uma das áreas centrais da estratégia estadual. O plano prevê dar continuidade às políticas de alfabetização, fortalecer a educação básica e ampliar a articulação entre Estado e municípios.

Na educação profissional, a intenção é aproximar a formação dos estudantes das transformações do mercado de trabalho e das oportunidades associadas à indústria, à tecnologia, às energias renováveis e aos serviços. A expansão do acesso ao ensino superior e o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação também integram a proposta.

A cultura é tratada simultaneamente como direito, elemento de identidade e vetor de desenvolvimento econômico. O documento prevê o fortalecimento dos equipamentos culturais, ampliar os mecanismos de financiamento, apoiar artistas e empreendimentos criativos e desenvolver a cadeia produtiva do audiovisual.

A articulação entre educação, cultura, ciência e inovação busca ampliar oportunidades para os jovens, estimular a economia criativa e fortalecer a produção de conhecimento no estado.

Os desafios de implementação e governança

A agenda para 2027–2030 combina continuidade de políticas públicas com novas propostas de modernização administrativa, diversificação econômica e adaptação climática. Sua implementação exigirá coordenação entre secretarias estaduais, prefeituras, Governo Federal, instituições de pesquisa, setor produtivo e organizações da sociedade civil.

Do ponto de vista da gestão pública, três aspectos merecem acompanhamento.

O primeiro é a capacidade de financiamento. A expansão simultânea de políticas sociais, investimentos em infraestrutura, serviços de saúde, educação e segurança exige compatibilidade entre prioridades, receitas disponíveis e despesas permanentes.

O segundo é a coordenação federativa. Muitas das propostas dependem de atuação conjunta com os municípios, sobretudo nas áreas de assistência social, saúde, educação, saneamento, mobilidade e planejamento urbano. A execução dependerá de capacidade técnica, mecanismos de financiamento e definição de responsabilidades.

O terceiro é a avaliação de resultados. A implementação de novas estruturas e programas precisará ser acompanhada por indicadores públicos que permitam verificar a evolução da aprendizagem, o acesso aos serviços de saúde, a redução da insegurança alimentar, a geração de empregos, os resultados das políticas de segurança e a ampliação da resiliência ambiental.

Esses aspectos não constituem resultados garantidos pelo documento, mas condições relevantes para avaliar a execução das propostas ao longo do mandato.

A proposta de Elmano de Freitas para 2027–2030 apresenta uma estratégia de desenvolvimento que articula proteção social, modernização do Estado, segurança pública, educação, saúde, diversificação econômica e sustentabilidade ambiental. O documento procura integrar essas áreas em uma agenda comum, com ênfase na cooperação entre os entes federativos e na redução das desigualdades regionais.

Para a administração pública cearense, o próximo ciclo será marcado pelo desafio de transformar diretrizes abrangentes em entregas concretas, com financiamento sustentável, capacidade de execução e transparência. A efetividade do programa dependerá não apenas da continuidade das iniciativas existentes, mas também da capacidade de estabelecer prioridades, acompanhar indicadores e corrigir políticas quando os resultados esperados não forem alcançados.

A avaliação do mandato deverá considerar, portanto, a distância entre as propostas apresentadas e os resultados efetivamente obtidos para a população, especialmente nas áreas de maior vulnerabilidade social e nos municípios.

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