A trajetória de Jorginho dos Santos Mello é marcada por uma longa experiência nos diferentes níveis da administração pública e da representação política. Natural de Ibicaré, no Meio-Oeste catarinense, nasceu em 15 de julho de 1956. Formado em Estudos Sociais, Administração e Direito, iniciou sua carreira profissional no Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), onde atuou como gerente e diretor entre 1975 e 2002. A experiência no setor bancário antecedeu uma trajetória política que atravessaria mais de quatro décadas.
A entrada na vida pública ocorreu ainda jovem. Em 1976, aos 20 anos, foi eleito vereador de Herval d’Oeste. No período seguinte, chegou à presidência da Câmara Municipal e passou a construir uma carreira que combinaria atuação legislativa, experiência administrativa e participação direta no Executivo estadual.
Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Jorginho Mello exerceu quatro mandatos como deputado estadual, entre 1995 e 2011. No Legislativo catarinense, participou de comissões relacionadas a áreas como Constituição e Justiça, Finanças e Tributação, Saúde, Educação, Segurança Pública, Transportes e Desenvolvimento Urbano. Em 2009, quando presidia a Assembleia, assumiu interinamente o Governo do Estado durante 12 dias.
A experiência estadual foi seguida por dois mandatos na Câmara dos Deputados, entre 2011 e 2019. Na esfera federal, sua atuação esteve particularmente associada a temas ligados à educação profissional e ao ambiente de negócios para empresas de menor porte. Foi relator do projeto que instituiu o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e presidiu a Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa.
Em 2018, foi eleito senador por Santa Catarina. A passagem pelo Senado ampliou sua atuação na formulação de políticas de alcance nacional e antecedeu a candidatura ao Governo do Estado em 2022. Naquele pleito, Jorginho Mello foi eleito governador no segundo turno, com 70,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Em 2026, quatro anos depois, voltou às urnas para disputar a continuidade no Executivo estadual. O TSE registrou sua reeleição em 4 de outubro, com 2.942.386 votos, equivalentes a 68,98% dos votos válidos. A vitória consolidou uma trajetória política que passou pelo município, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado e, posteriormente, pelo comando do Executivo estadual.
Um programa que coloca a gestão no centro
A proposta de governo apresentada por Jorginho Mello em 2026, denominada “Caminhos de SC”, revela uma concepção de administração pública baseada em cinco diretrizes: Eficiência, Transparência, Cidadania, Descentralização e Inovação. O documento afirma que essas cinco dimensões devem orientar a gestão e as iniciativas do governo estadual.
A proposta defende uma administração capaz de reduzir desperdícios, acelerar a prestação de serviços, ampliar o controle social e aproximar o Governo dos municípios. A eficiência aparece associada à melhor aplicação dos recursos públicos e à eliminação de despesas consideradas supérfluas.
A transparência, por sua vez, é tratada como instrumento de controle da administração. O programa propõe dados públicos e abertos, preferencialmente em tempo real, além de mecanismos destinados ao combate à corrupção, aos desvios e ao desperdício de recursos. O cidadão é apresentado como usuário dos serviços públicos, mas também como participante do acompanhamento dos resultados das políticas públicas.
É nesse ponto que a trajetória política de Jorginho Mello encontra uma das características mais marcantes do programa: a valorização da experiência administrativa e da articulação entre diferentes níveis de governo.
Descentralizar para aproximar o Estado dos municípios
A descentralização constitui um dos pilares do “Caminhos de SC”. O programa propõe que as políticas públicas estaduais sejam implementadas em parceria com os municípios, utilizando como referência as 21 associações municipais representadas pela FECAM.
A lógica é simples: aproximar a estrutura estadual do cidadão por meio dos governos locais. O documento estabelece como síntese dessa diretriz a ideia de “atender com eficiência o cidadão e fortalecer os municípios”.
Para uma administração estadual marcada por fortes diferenças regionais, essa concepção tem implicações relevantes. Santa Catarina combina regiões industrializadas, polos tecnológicos, áreas de forte produção agropecuária, territórios turísticos e municípios com diferentes níveis de infraestrutura e capacidade administrativa.
Por isso, o programa prevê reuniões periódicas dos secretários estaduais com as 21 associações de municípios para estabelecer prioridades de investimento regional. A proposta procura deslocar parte da definição das prioridades para uma relação mais permanente entre Estado e governos municipais.
A descentralização, portanto, não aparece apenas como mecanismo administrativo. Ela é apresentada como estratégia de desenvolvimento regional e de aproximação do poder público com as necessidades locais.
Saúde: tecnologia, regionalização e integração da rede
Na área da saúde, o programa coloca o fortalecimento da rede hospitalar e o apoio aos municípios como dois desafios centrais. A proposta reconhece que a estrutura estadual precisa estar preparada para situações de emergência sanitária e defende maior integração entre hospitais estaduais, unidades administradas por organizações sociais e estabelecimentos conveniados.
A tecnologia ocupa papel importante nessa estratégia. O programa cita gerenciamento de dados clínicos, telessaúde e sistemas de gestão de acesso, referência e contrarreferência como ferramentas para melhorar a assistência.
Também há uma preocupação explícita com a regionalização dos serviços especializados. O objetivo é ampliar e agilizar o atendimento e reduzir deslocamentos desnecessários dos pacientes. Para os municípios, o Estado promete apoio em exames, cirurgias, medicamentos, prevenção e programas direcionados a famílias, mulheres e idosos.
A proposta revela, assim, uma concepção de saúde pública que combina infraestrutura, gestão de redes, tecnologia e cooperação interfederativa.
Educação como política de formação para o trabalho
A educação aparece no programa como investimento estratégico de longo prazo. A proposta parte da compreensão de que as transformações do mercado de trabalho exigem novas competências e que o sistema educacional precisa preparar crianças e jovens para uma economia em permanente transformação.
O programa defende a valorização e a formação dos professores, além da oferta de uma educação integral e de qualidade. Outro eixo é a expansão do ensino profissional e tecnológico, com a perspectiva de ampliar as possibilidades de emprego e renda.
A formação profissional é, nesse sentido, tratada como uma ponte entre política educacional e desenvolvimento econômico. O documento também prevê investimentos que permitam aos jovens prosseguir os estudos depois do ensino médio, tanto pela educação profissional e tecnológica quanto pelo acesso ao ensino superior.
Essa abordagem dialoga com a própria trajetória legislativa de Jorginho Mello, que, no Congresso Nacional, teve participação destacada em temas relacionados ao ensino técnico e profissionalizante.
Segurança pública e integração institucional
Na segurança pública, o programa adota uma visão sistêmica, envolvendo prevenção, fiscalização, repressão, responsabilização e ressocialização. A proposta enfatiza a integração entre União, Estado, municípios, órgãos públicos, Ministério Público, Poder Judiciário e sociedade civil.
Entre as medidas previstas estão a ampliação do monitoramento integrado, a modernização das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Científica, além do fortalecimento da articulação com os municípios.
A estratégia regional também aparece nesse setor, com a criação de núcleos e o incentivo à participação da sociedade na identificação e discussão dos problemas de segurança de cada localidade.
O sistema prisional também recebe atenção específica. O programa prevê ampliação de vagas, monitoramento eletrônico, educação básica e técnica para os presos e o programa denominado “Trabalho pela Liberdade”, associado à ressocialização, redução da reincidência e diminuição dos custos públicos.
Defesa Civil diante dos riscos climáticos
A experiência catarinense com estiagens, enchentes e outros eventos climáticos faz da Defesa Civil uma área estratégica. O programa propõe atualização tecnológica, ampliação da capacidade operacional e integração entre Estado e municípios.
Um dos pontos destacados é a necessidade de revisar os planos de contingência e construir um sistema integrado de preparação e resposta a desastres. O documento também relaciona prevenção a intervenções urbanas e rurais, incluindo estabilização de encostas, contenção e infraestrutura em áreas de risco.
A gestão de riscos, nessa perspectiva, deixa de ser apenas uma resposta emergencial e passa a integrar o planejamento territorial e a infraestrutura pública.
Desenvolvimento econômico com inovação
No campo econômico, o programa estabelece uma relação direta entre inovação, tecnologia, produtividade e geração de riqueza. A proposta prevê estímulo a parques tecnológicos, incubadoras, startups, empresas inovadoras e iniciativas de empreendedorismo.
Universidades, instituições de pesquisa, municípios e organizações do chamado Sistema S aparecem como parceiros estratégicos. A intenção é aproximar conhecimento, inovação e atividade produtiva, criando condições para que novas tecnologias sejam incorporadas aos setores tradicionais da economia catarinense.
O agronegócio recebe atenção proporcional à sua importância na economia estadual. O programa destaca a agricultura familiar, as cadeias de proteína animal, a produção de alimentos e o papel das cooperativas. A estratégia proposta é aumentar produtividade, renda e competitividade por meio de políticas públicas articuladas com empresas e entidades representativas do setor.
Para os micro e pequenos negócios, a proposta prevê ampliar a atuação do BADESC, criar linhas especiais de crédito, inclusive por meio do PRONAMPE/SC e PRONAMPE/SC Rural, além de oferecer capacitação em parceria com Sistema S, universidades e prefeituras.
Infraestrutura como vetor de competitividade
A infraestrutura é tratada como condição para o desenvolvimento econômico e para a integração territorial. O programa propõe manutenção e ampliação da malha rodoviária estadual, asfaltamento de estradas vicinais e melhoria das conexões entre municípios, com atenção também ao escoamento da produção.
Na mobilidade urbana, a proposta aposta em novos modais e em maior participação da iniciativa privada, mediante concessões e Parcerias Público-Privadas. O objetivo é ampliar investimentos, melhorar a qualidade dos serviços e reduzir custos.
A estratégia também contempla a integração dos diferentes modais de transporte, rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário e aeroviário e a expansão da conectividade, incluindo a implantação da rede 5G.
Saneamento, energia e sustentabilidade
Outro componente relevante do programa é a infraestrutura ambiental. O documento propõe tratar meio ambiente, recursos hídricos, saneamento e energia de maneira integrada.
Entre as medidas mais ambiciosas está o chamado Programa Santa Catarina Trifásico, com previsão de investimentos de R$1,5 bilhão para implantação de 12 mil quilômetros de linhas trifásicas, com o objetivo de ampliar a segurança energética principalmente no meio rural e nos parques industriais.
Na área ambiental, a proposta prevê a reestruturação do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, agilização dos licenciamentos e maior articulação com os municípios.
No saneamento, o programa estabelece como referência a universalização dos serviços até 2033, em parceria com municípios e iniciativa privada, além de ações voltadas à segurança hídrica, tratamento de esgoto, resíduos sólidos e recuperação da qualidade dos recursos hídricos.
Desenvolvimento social e inclusão produtiva
Na área social, o programa parte da ideia de que as políticas públicas devem favorecer a autonomia dos cidadãos e a reinserção produtiva. O trabalho é apresentado como instrumento de inclusão e geração de renda, associado à educação e à qualificação profissional.
Há propostas específicas para idosos, mulheres, cultura, esporte, habitação e regularização fundiária.
Entre as medidas está a criação de uma Secretaria Executiva de Políticas para Idosos, com atribuições de articulação de programas estaduais e municipais. Para as mulheres, o documento prevê igualdade de condições na seleção para cargos públicos e prioridade em determinados programas sociais, especialmente para mães solo.
Na habitação, o programa prevê ampliação da oferta de moradias, articulação com municípios, instituições financeiras e programas habitacionais, além de ações de regularização fundiária. O documento cita a meta de regularização de mais de 300 mil moradias por meio do programa Lar Legal/TJSC.
O desafio fiscal: fazer mais sem ampliar despesas
Talvez um dos pontos mais diretamente relacionados à gestão pública esteja no capítulo dedicado à arrecadação e ao orçamento. O programa reconhece a existência de despesas obrigatórias, previdenciárias, de pessoal, transferências constitucionais e repasses aos demais Poderes e instituições.
Diante dessa rigidez orçamentária, a proposta defende aumentar a eficiência e a produtividade do setor público sem ampliar a carga tributária.
O caminho indicado é o controle rigoroso das despesas, o combate à fraude tributária, a cobrança de inadimplentes e, sobretudo, a adoção de indicadores de desempenho para avaliar resultados da gestão pública e aperfeiçoar o planejamento e a execução orçamentária.
Para gestores públicos, esse ponto é particularmente relevante porque desloca o debate da simples disponibilidade de recursos para a capacidade de produzir resultados com os recursos existentes.
Governança: menos burocracia e mais tecnologia
O capítulo de governança sintetiza boa parte da filosofia administrativa apresentada no “Caminhos de SC”. O programa propõe reorganizar a estrutura do Executivo, integrar processos, alinhar objetivos e reduzir a burocracia.
A intenção declarada é compactar estruturas administrativas e fortalecer as áreas finalísticas, responsáveis diretamente pela prestação de serviços ao cidadão. A tecnologia aparece como instrumento para simplificar processos, aumentar produtividade, reduzir custos e ampliar a interação entre governo e sociedade.
Essa concepção aproxima a proposta de uma agenda contemporânea de transformação da administração pública: estruturas mais enxutas, processos digitais, indicadores, integração de dados e foco no cidadão.
O programa também reforça a ideia de parcerias. Universidades, instituições financeiras, empresas, Sistema S, municípios e consórcios intermunicipais são apresentados como atores capazes de compartilhar responsabilidades na execução de políticas públicas.
Servidores públicos como parte da estratégia de gestão
A proposta não deixa de lado o funcionalismo público. O servidor é definido como agente do Estado destinado a servir à sociedade, e o documento afirma a necessidade de respeito, diálogo e valorização desses profissionais.
O programa prevê aperfeiçoamento profissional contínuo, aquisição de novas competências e melhoria da produtividade. Também propõe auditoria no fundo previdenciário estadual e no plano de saúde dos servidores.
A lógica é coerente com a ideia geral do programa: melhorar a capacidade do Estado não apenas por meio de investimentos físicos e tecnológicos, mas também pelo desenvolvimento de sua capacidade institucional.
Uma agenda de Estado orientada por resultados
O conjunto das propostas permite identificar uma linha condutora: a tentativa de combinar responsabilidade fiscal, modernização administrativa, descentralização, inovação e prestação de serviços públicos.
A experiência de Jorginho Mello ajuda a explicar parte dessa construção. Sua trajetória reúne a vivência no setor bancário, a atuação municipal, quatro mandatos como deputado estadual, passagem pela presidência da Assembleia Legislativa, experiência como governador interino, dois mandatos na Câmara dos Deputados e uma passagem pelo Senado.
O programa “Caminhos de SC” traduz essa experiência em uma agenda que procura aproximar gestão e resultados. Saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico aparecem associados a mecanismos de planejamento, parcerias, tecnologia e participação municipal.
Para o campo da administração pública, um dos aspectos mais importantes está justamente na transversalidade da proposta. A inovação não é apresentada apenas como política econômica; ela também aparece na saúde, na segurança, na Defesa Civil e na própria gestão administrativa. A descentralização não se limita à transferência de responsabilidades, mas é relacionada à definição regional de prioridades. E a eficiência não é apresentada somente como redução de despesas, mas como capacidade de entregar serviços melhores e mais rapidamente.
É nessa combinação que se encontra o eixo central do projeto administrativo apresentado por Jorginho Mello: um Estado mais próximo dos municípios, mais orientado por indicadores, mais aberto ao uso de tecnologia e parcerias e submetido a uma lógica de maior eficiência na aplicação dos recursos públicos.
A trajetória política iniciada em uma Câmara Municipal do interior catarinense levou Jorginho Mello a diferentes posições de comando e representação. A chegada ao Governo do Estado transformou essa experiência acumulada em responsabilidade executiva sobre uma máquina pública complexa, com forte diversidade regional e uma economia igualmente diversificada.
O programa apresentado em 2022 funciona, portanto, como uma espécie de mapa conceitual dessa visão de administração. Seus cinco pilares — Eficiência, Transparência, Cidadania, Descentralização e Inovação — procuram estabelecer uma conexão entre a organização interna do Estado e aquilo que chega à ponta: o serviço recebido pelo cidadão.
Com a reeleição em 2026, essa trajetória entra em uma nova etapa. A questão que se coloca para a administração catarinense é transformar diretrizes e compromissos programáticos em indicadores mensuráveis, entregas regionais e políticas públicas capazes de produzir resultados sustentáveis ao longo do tempo.

