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Ministra Cármen Lúcia em conferência no XV Congresso Consad
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Mulheres em posições de liderança no setor público

Ao discutir violência, invisibilidade histórica e participação política, a ministra Cármen Lúcia reforça a necessidade de uma governança pública baseada na pluralidade e na igualdade real.

Ao discutir violência, invisibilidade histórica e participação política, a ministra Cármen Lúcia reforça a necessidade de uma governança pública baseada na pluralidade e na igualdade real.

A ampliação da presença feminina nos espaços de liderança foi um dos temas centrais do XV Congresso Consad de Gestão Pública. Em um cenário marcado por debates sobre transformação institucional, diversidade e inovação no setor público, a conferência da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, trouxe uma reflexão sobre os desafios históricos enfrentados pelas mulheres brasileiras na ocupação de posições de poder e decisão. Ao discutir igualdade, participação política e violência institucional, a ministra defendeu a construção de uma administração pública mais plural, democrática e comprometida com a valorização da diversidade como elemento fundamental para o fortalecimento das instituições e da própria democracia brasileira.

A conferência, transmitida on-line, apresentou uma reflexão sobre os obstáculos históricos enfrentados pelas mulheres na ocupação de posições de liderança e sobre a necessidade de fortalecer uma cultura institucional baseada na igualdade, na pluralidade e na participação efetiva. Ao longo da palestra, a ministra destacou que a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão não ocorre por concessão, mas pela construção permanente de políticas e práticas institucionais comprometidas com a igualdade real. Para ela, o Brasil ainda carrega marcas profundas de uma cultura historicamente estruturada sob uma lógica masculina de poder. “Nós fomos formados em um Brasil varonil”, afirmou, ao lembrar que, durante décadas, os espaços de liderança política, econômica e institucional foram reservados majoritariamente aos homens. Segundo ela, a igualdade prevista na Constituição precisa deixar de ser apenas um princípio formal para se transformar em prática concreta dentro das instituições públicas.

Desafios históricos e violência institucional

Durante sua fala, Cármen Lúcia também chamou atenção para a persistência da violência contra as mulheres e para os impactos desse cenário na participação feminina nos espaços de liderança. A ministra ressaltou que a violência física, psicológica, política e institucional ainda atua como barreira direta à ascensão das mulheres em diferentes áreas da sociedade.

Se nós não conseguimos manter sequer a vida das mulheres, é impossível imaginar que elas cheguem às lideranças como algo natural da democracia.

Cármen Lúcia, ministra do STF

A ministra destacou ainda que a exclusão feminina dos espaços de decisão faz parte de um processo histórico de invisibilização das mulheres brasileiras. Ao citar nomes como Hipólita Jacinta e Bárbara de Alencar, figuras importantes na luta pela independência e pela construção política do país, Cármen Lúcia defendeu a necessidade de revisitar a história nacional sob uma perspectiva mais plural. “Apagam-se as mulheres da história como se nunca tivessem existido”, observou, ao afirmar que muitas lideranças femininas foram silenciadas ao longo dos séculos mesmo tendo exercido papéis fundamentais na formação política e social do Brasil. Para a ministra, transformar esse cenário exige mais do que tolerância institucional: é necessário construir uma governança verdadeiramente solidária, baseada no reconhecimento da diversidade e no fortalecimento da participação coletiva.

Debate repercute entre participantes

As reflexões apresentadas pela ministra também repercutiram entre os participantes do congresso, especialmente entre mulheres que atuam diretamente na gestão pública. Para a gestora administrativo-financeira da CearaPar, Valeska Passos, a participação de Cármen Lúcia foi um dos momentos mais marcantes da programação. “A entrevista com a ministra foi a parte mais impactante do evento, focada no empoderamento da mulher”, afirmou. A articuladora do Selo Unicef do município de Independência (CE), Ana Rodrigues, destacou a força simbólica e política da presença da ministra. “Foi uma emoção vê-la. Ela é muito assertiva nas falas dela e contribui muito para a geração dela e para a nossa. O discurso foi muito assertivo em relação ao protagonismo das mulheres. Para mim, foi o ponto forte do congresso”, ressaltou. Ao promover o debate sobre participação feminina nos espaços de decisão, o XV Congresso Consad reforçou a importância de construir instituições mais plurais, democráticas e alinhadas à diversidade da sociedade brasileira.

Saiba mais: o caso que marcou o debate sobre violência contra a mulher no Brasil

Durante sua fala no Congresso Consad, a ministra Cármen Lúcia relembrou um dos episódios mais emblemáticos da violência de gênero no Brasil: o assassinato de Ângela Diniz, em 1976, pelo então companheiro Raul Fernando do Amaral Street, conhecido como Doca Street. O caso ganhou repercussão nacional após o réu ser inicialmente absolvido sob a tese da “legítima defesa da honra”, argumento amplamente aceito pela sociedade brasileira naquele período. A decisão provocou forte mobilização de movimentos femininos e tornou-se símbolo da luta pelos direitos das mulheres e pelo enfrentamento da violência de gênero no país. O episódio é revisitado no podcast Praia dos Ossos, da Rádio Novelo, que analisa como a cultura da violência e da culpabilização feminina marcou a sociedade brasileira ao longo das décadas — produção que também deu origem a um documentário da Globoplay, protagonizado pela atriz Marjorie Estiano.

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