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Painel sobre transformação digital no XV Congresso Consad
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Transformação digital além da tecnologia: o verdadeiro desafio é institucional

O avanço das ferramentas digitais está mudando a forma como governos planejam, executam e avaliam políticas públicas — mas especialistas alertam que o verdadeiro desafio continua sendo institucional.

O avanço das ferramentas digitais está mudando a forma como governos planejam, executam e avaliam políticas públicas, mas especialistas alertam que o verdadeiro desafio continua sendo institucional.

Durante muito tempo, a transformação digital no setor público foi associada à digitalização de serviços e à eliminação de processos em papel. Hoje, porém, o debate vai além da tecnologia. A questão central passou a ser como utilizar dados e inteligência digital para melhorar decisões e ampliar a qualidade das políticas públicas. Em democracias descentralizadas como a brasileira, esse desafio ganha uma dimensão ainda maior: União, estados e municípios precisam atuar de forma coordenada para que as inovações tecnológicas se transformem em benefícios concretos para a população.

Para o economista José Roberto Afonso, a transformação digital exige que os governos estejam presentes nos ambientes onde as pessoas já vivem e interagem.

Os governos têm que estar dentro do celular das pessoas. Os brasileiros passam horas por dia conectados, e os serviços públicos precisam acompanhar essa realidade.

José Roberto Afonso, economista

Segundo ele, o Brasil já acumula experiências relevantes nesse processo, mas o principal desafio não está nas ferramentas. “O difícil não é a tecnologia. O difícil é a organização e a decisão política”, destaca.

Do atendimento digital à inteligência pública

A evolução da transformação digital está diretamente ligada ao uso estratégico dos dados produzidos pelo próprio Estado. Se antes os sistemas públicos eram utilizados principalmente para registrar informações, hoje eles também podem gerar conhecimento para orientar decisões e melhorar resultados. Para Ricardo Ramos Pinto, a grande mudança está justamente na capacidade de transformar dados em inteligência para a gestão. “Durante muito tempo, o Estado atuava sobretudo quando os problemas já estavam instalados. Hoje temos uma enorme quantidade de dados e capacidade tecnológica para transformar essa informação em conhecimento útil para a tomada de decisão”, explica. Essa combinação permite monitorar resultados, identificar padrões e antecipar riscos antes que eles se transformem em problemas maiores.

Antecipar problemas, não apenas reagir

Segundo Ricardo Ramos Pinto, a verdadeira inovação não está apenas em oferecer serviços online, mas em utilizar as informações geradas por esses serviços para compreender melhor a realidade e aperfeiçoar as políticas públicas. “A pergunta deixa de ser apenas como prestar um serviço mais rápido e passa a ser: que conhecimento esse serviço está produzindo sobre os problemas públicos atuais e futuros?”, afirma. Nesse contexto, a transformação digital deixa de ser uma agenda de modernização administrativa e passa a ser uma ferramenta para melhorar a qualidade da governança e fortalecer a capacidade do Estado de responder às necessidades da sociedade.

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