• Início  
  • ColaboraGov: quando compartilhar é modernizar
- Matérias

ColaboraGov: quando compartilhar é modernizar

Plataforma do Governo Federal aposta em serviços compartilhados, cooperação federativa e transformação digital para tornar a administração pública mais eficiente e focada na entrega de resultados ao cidadão.

Isabela Gebrim, secretária de Serviços Compartilhados do MGI

Plataforma do Governo Federal aposta em serviços compartilhados, cooperação federativa e transformação digital para tornar a administração pública mais eficiente e focada na entrega de resultados ao cidadão.

Por décadas, a estrutura administrativa do setor público brasileiro foi construída de forma descentralizada. Cada órgão desenvolveu suas próprias áreas de compras, contratos, gestão de pessoas, tecnologia da informação e suporte administrativo. Embora esse modelo tenha garantido autonomia institucional, também gerou sobreposição de esforços, custos elevados e dificuldades para padronizar processos. Nos últimos anos, a busca por mais eficiência levou governos de diferentes países a adotar modelos de serviços compartilhados, concentrando atividades administrativas em estruturas especializadas para permitir que órgãos foquem naquilo que realmente importa: a formulação e a execução de políticas públicas.

É nesse contexto que surge o ColaboraGov, iniciativa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) que busca ampliar a cooperação entre órgãos federais e inspirar novas formas de colaboração entre União, estados e municípios. Segundo Isabela Gebrim, secretária de Serviços Compartilhados do MGI, a proposta parte de uma mudança de lógica na administração pública. “A gente sempre deixou muito claro dentro do ColaboraGov que nós não retiramos a autonomia de nenhum órgão”, afirmou.

Infográfico com os objetivos do ColaboraGov
Objetivos do ColaboraGov.

Menos burocracia, mais foco em políticas públicas

A modernização do Estado costuma ser associada à tecnologia, inteligência artificial e digitalização de serviços. Mas, para que essas ferramentas gerem resultados concretos, é necessário revisar também a forma como o governo se organiza internamente. Nesse aspecto, o ColaboraGov atua nos bastidores da administração pública: em vez de cada órgão manter estruturas completas para atividades de suporte, o modelo permite que determinados serviços sejam executados por equipes especializadas, com maior escala, padronização e eficiência. “Ele consegue focar melhor nas suas políticas públicas, consegue focar melhor na sua atividade-fim, se tiver uma unidade que é dedicada para isso”, destacou Isabela. Entre as atividades que podem ser compartilhadas estão:

  • Compras públicas
  • Contratações
  • Gestão de pessoas
  • Tecnologia da informação
  • Serviços administrativos

O desafio não é tecnológico

Embora o ColaboraGov esteja inserido na agenda de transformação digital do governo, o maior desafio identificado pela equipe não está na tecnologia. Segundo Isabela Gebrim, a principal barreira continua sendo cultural. “A resistência, eu acho que é mais uma dificuldade que, às vezes, nossas equipes têm de entender como que a gente pode, de fato, centralizar atividades que hoje estão totalmente descentralizadas.” A percepção de perda de controle ou de autonomia ainda é um dos principais obstáculos para a adoção de modelos compartilhados.

Não é bem uma resistência, mas uma dificuldade em entender que um modelo como esse, de centralizar atividades em uma unidade só, possa prestar serviços para os demais órgãos sem retirar sua autonomia.

Isabela Gebrim, secretária de Serviços Compartilhados do MGI

Por isso, a estratégia do programa tem sido baseada em diálogo, demonstração de resultados e construção gradual de confiança entre os órgãos participantes. A experiência brasileira chama atenção também pela escala: de acordo com a secretária, trata-se de um modelo pioneiro dentro da administração pública federal e sem equivalentes diretos identificados nos estudos internacionais realizados pela equipe.

Cooperação como caminho para reduzir desigualdades

Além dos ganhos internos de eficiência, o ColaboraGov também se conecta a uma agenda mais ampla de cooperação federativa. O compartilhamento de experiências, soluções e boas práticas entre diferentes níveis de governo tem sido apontado como uma das formas mais efetivas de acelerar a modernização da administração pública brasileira. Segundo Isabela, fóruns de troca entre gestores permitem que soluções desenvolvidas em estados ou municípios sejam adaptadas e replicadas em outras realidades. “Todos juntos a gente consegue entregar muito mais para o cidadão, porque a gente quer transformar o Estado”, afirmou. “Compartilhar, estar mais próximos em fóruns como esse faz com que essa desigualdade não seja aumentada.”

Em um cenário marcado pela transformação digital, pela inteligência artificial e pela crescente pressão por melhores serviços públicos, a experiência aponta para uma mudança de paradigma. Mais do que criar novas estruturas, modernizar o Estado passa por aprender a trabalhar em conjunto, fortalecendo redes de colaboração para que conhecimento, tecnologia e capacidade institucional possam circular entre diferentes organizações públicas.

Gestão Pública & Desenvolvimento  ©2026 IPGD. Todos os direitos reservados.