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Cláudia Passador, presidente da SBAP, no XV Consad
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Planejar para transformar: o papel dos dados na gestão dos municípios brasileiros

Presidente da Sociedade Brasileira de Administração Pública, Cláudia Passador defende o uso de evidências e a qualidade do gasto público como pilares para o desenvolvimento dos municípios.

Presidente da Sociedade Brasileira de Administração Pública, Cláudia Passador defende o uso de evidências e a qualidade do gasto público como pilares para o desenvolvimento dos municípios.

Em um cenário de recursos limitados e demandas cada vez mais complexas, o planejamento estratégico tem se consolidado como uma ferramenta indispensável para a gestão pública municipal. Mas, para que o planejamento produza resultados concretos, é preciso que ele esteja conectado à realidade dos territórios e fundamentado em dados capazes de apontar onde estão os principais desafios da população.

Esse foi um dos temas abordados por Cláudia Passador, presidente da Sociedade Brasileira de Administração Pública (SBAP), durante sua participação no XV Congresso Consad de Gestão Pública. Para a pesquisadora, o primeiro passo para construir políticas públicas mais eficientes é compreender, por meio de diagnósticos e evidências, quais são as necessidades reais de cada município. “Os dados mostram justamente onde estão os gargalos não respondidos. Como o recurso econômico é escasso, é preciso utilizá-lo onde ele é realmente necessário”, afirmou.

Dados para decidir melhor

Para Cláudia Passador, ainda existe um longo caminho para que os municípios brasileiros incorporem de forma mais consistente o uso de evidências na tomada de decisão. Na avaliação da especialista, muitas políticas públicas continuam sendo formuladas a partir de interesses políticos ou de demandas circunstanciais, sem uma conexão efetiva com as necessidades apontadas pelos dados. “Os municípios ainda usam poucos dados. Muitas vezes, projetos e políticas são construídos a partir de interesses desconectados da necessidade da população. E aí o recurso acaba sendo mal aproveitado”, destacou.

Essa qualidade passa pela leitura da realidade. Utilizar evidências cria mais espaço para a efetividade, que é chegar a quem realmente precisa da ação do Estado.

Cláudia Passador, presidente da SBAP

A pesquisadora defende que a qualidade do gasto público está diretamente relacionada à capacidade dos governos de compreenderem a realidade que pretendem transformar. Quanto maior a utilização de evidências, maior a possibilidade de que as políticas cheguem de forma efetiva aos cidadãos.

Planejamento com identidade local

Além da definição de prioridades, Cláudia ressalta que o planejamento também deve considerar as vocações e características de cada território. Para ela, uma gestão eficiente é aquela que consegue equilibrar a resposta às demandas sociais com a valorização dos potenciais econômicos, culturais e produtivos existentes em cada município. “É preciso trabalhar com aquilo que é natural daquele território, potencializando a cultura local, as atividades econômicas e as características próprias de cada cidade”, afirmou.

O valor da troca de experiências

Ao comentar a realização do XV Congresso Consad, Cláudia Passador destacou a importância de criar espaços que aproximem gestores públicos, pesquisadores e especialistas de diferentes regiões do país. Segundo ela, a diversidade de experiências compartilhadas durante o evento fortalece a capacidade dos governos de encontrar soluções para desafios comuns e amplia o acesso a novas ferramentas de gestão. “Esse encontro, reunindo pessoas de um Brasil tão diverso, já é por si só um produto importante para a gestão pública brasileira”, avaliou.

Ao reunir conhecimento acadêmico, experiências práticas e debates sobre inovação, o congresso reforçou uma mensagem que atravessou diferentes painéis ao longo da programação: planejar melhor significa conhecer melhor a realidade. E, para os municípios brasileiros, isso começa pelo uso inteligente dos dados e pela construção de políticas públicas orientadas por evidências.

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