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Jessika Moreira, diretora executiva do Movimento Pessoas à Frente
- Entrevistas

Mulheres na liderança pública: o Pacto que busca ampliar a presença feminina nos espaços de decisão

Diretora executiva do Movimento Pessoas à Frente, Jessika Moreira fala sobre a importância do Pacto Mulheres na Liderança Pública e os desafios para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão da administração pública.

Por Paula Bandeira

Durante o Congresso do CONSAD, representantes dos estados assinaram o Pacto Mulheres na Liderança Pública, iniciativa que busca ampliar o acesso, a ascensão e a permanência de mulheres em cargos de liderança no setor público. A medida reforça o compromisso dos governos com uma gestão mais diversa, representativa e alinhada aos desafios contemporâneos da administração pública.

Para falar sobre a importância dessa agenda, a Revista Gestão Pública conversou com Jessika Moreira, diretora executiva do Movimento Pessoas à Frente, organização da sociedade civil dedicada ao aprimoramento das políticas de gestão de pessoas no setor público. Na entrevista, ela destaca os impactos da diversidade na tomada de decisões e os desafios que ainda limitam a presença feminina nos espaços de poder.

RGPD: Qual a importância do Pacto Mulheres na Liderança Pública?

Esse pacto representa um esforço para garantir o acesso, a ascensão e a permanência de mais mulheres na liderança do setor público. E não estamos falando apenas dos cargos mais altos, como secretarias e posições de primeiro escalão. É importante olhar também para as lideranças intermediárias, como cargos de chefia, direção e coordenação.

Pesquisas nacionais demonstram que as mulheres enfrentam barreiras adicionais para permanecer em cargos de liderança. A dificuldade de conciliar a maternidade com as exigências desses cargos é um dos fatores que contribuem para esse cenário.

Problemas complexos não se resolvem com pessoas iguais.

Jessika Moreira

Por isso, é tão importante esse compromisso assumido pelo CONSAD junto aos estados para construir mecanismos que ampliem a presença feminina em posições de liderança.

Avançar nessa agenda representa um marco de modernização administrativa, permitindo que governos contem com equipes mais engajadas, preparadas e diversas, capazes de oferecer melhores serviços públicos e políticas públicas para a população.

RGPD: Como definir o Movimento Pessoas à Frente?

O Movimento Pessoas à Frente é uma organização da sociedade civil dedicada ao aprimoramento das políticas de gestão de pessoas no setor público. Entendemos que contar com mais mulheres em posições de liderança é um elemento fundamental para construir uma burocracia verdadeiramente representativa da população que a administração pública serve.

Quando olhamos para a sociedade brasileira, o que mais encontramos são mulheres. Quando observamos o serviço público, também vemos uma maioria de servidoras. Porém, quanto mais se sobe na hierarquia, menos mulheres encontramos. O mesmo acontece nos espaços ligados à gestão de recursos e orçamento.

Infelizmente, essa é uma realidade presente na administração federal, nos estados e nos municípios.

A população brasileira apoia essa agenda. Uma pesquisa Datafolha mostrou que 90% dos brasileiros acreditam que as políticas públicas seriam mais efetivas se as mulheres estivessem melhor posicionadas em cargos de liderança. Além disso, há apoio às políticas afirmativas voltadas para ampliar o acesso e a ascensão feminina nesses espaços.

O que o CONSAD está fazendo, junto aos representantes estaduais, é ouvir a população e dar uma resposta concreta por meio de medidas que ampliem o acesso, a ascensão e a permanência de mulheres em cargos de liderança.


Quem é Jessika Moreira
Diretora executiva do Movimento Pessoas à Frente. Especialista em Políticas Públicas para Cidades Inteligentes pela Universidade de São Paulo (USP), cofundadora do Iris Lab Gov e integrante da Rede de Líderes da Fundação Lemann.

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